O ex-negociador do Departamento de Estado dos EUA, Aaron David Miller, discute a situação atual das negociações envolvendo Irã, Israel e Líbano. Segundo Miller, não há uma estratégia coerente, mas sim improvisação influenciada por pressão, personalidade e mudanças de poder.
Ele destaca que as negociações não são guiadas por confiança ou uma visão compartilhada de resolução, mas por necessidade tática e percepções assimétricas de vantagem. Os Estados Unidos buscam uma saída de um conflito que escolheram entrar, enquanto o Irã se vê em uma posição estratégica ascendente e, portanto, não tem pressa para chegar a um compromisso, mesmo diante de danos significativos causados por bombardeios incessantes.
A arquitetura diplomática em formação, que envolve intermediários, enviados informais e mandatos pouco claros, reflete mais fragmentação do que força nos processos de tomada de decisão. Miller argumenta que o progresso não virá de gestos simbólicos ou canais improvisados, mas de negociações diretas e disciplinadas, fundamentadas em uma compreensão da história, geografia e interesses legítimos de todos os envolvidos.

