O Primeiro-Ministro da Hungria, Viktor Orbán, admitiu a derrota nas eleições gerais realizadas no domingo, 12 de abril de 2026, após resultados preliminares indicarem que o partido Tisza estava prestes a conquistar uma maioria de dois terços no parlamento. Com quase metade dos votos contados, o Tisza foi projetado para ganhar 135 dos 199 assentos, enquanto o partido Fidesz de Orbán deve obter 57 assentos, segundo o escritório nacional de eleições (NVI).
Orbán declarou: “Os resultados das eleições ainda não são finais, mas a situação é compreensível e clara. A responsabilidade e a possibilidade de governar não nos foram dadas. Eu parabenizei o vencedor.” O líder do Tisza, Péter Magyar, está a caminho de se tornar o novo Primeiro-Ministro, substituindo Orbán, que liderou o país desde 2010.
As pesquisas antes do dia da eleição mostraram que o partido de Orbán estava atrás do Tisza por uma margem significativa, refletindo a crescente frustração dos eleitores com a corrupção no país. Magyar conseguiu unir críticos de Orbán, desde eleitores da extrema esquerda até aqueles da direita insatisfeitos com o Primeiro-Ministro. Ele prometeu implementar reformas anti-corrupção se eleito.
A analista política Zsuzsanna Végh chamou a eleição de “marco” para a Hungria, afirmando que a vitória de Magyar representa a rejeição dos eleitores ao movimento de extrema direita de Orbán. A ascensão de Magyar cria uma chance real de reformar o país e retornar a um governo mais democrático.
Orbán tem sido uma figura controversa na União Europeia, frequentemente utilizando seu poder de veto para bloquear decisões, especialmente em relação à guerra na Ucrânia. A vitória de Magyar poderia levar a uma abordagem mais construtiva em relação à UE, com promessas de reparar as relações danificadas.
Se Magyar cumprir suas promessas de reforma, isso pode ajudar a restaurar a relação da Hungria com a UE, que começou a suspender bilhões em financiamento devido a violações dos padrões do Estado de direito. Especialistas acreditam que a economia em dificuldades da Hungria foi um fator que contribuiu para o desempenho fraco de Orbán nas pesquisas.
A nova liderança na Hungria também pode abrir discussões sobre mudanças nas regras de governança da UE, que exigem unanimidade entre os 27 estados-membros para certas ações. A derrota de Orbán pode sinalizar uma oportunidade para reformas na UE e melhorar sua eficácia.
O apoio de figuras como o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-presidente J.D. Vance a Orbán foi visto como uma tentativa de mobilizar a base do Primeiro-Ministro antes da eleição. No entanto, especialistas acreditam que essa estratégia pode não ter sido eficaz, dado que Orbán é uma figura polarizadora na Hungria.

