A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, afirmou que os preços de energia não devem recuar rapidamente, mesmo com um possível cessar-fogo ou avanço rumo à paz na guerra no Irã. A declaração foi feita durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, que ocorre esta semana em Washington.
Em entrevista à TV norte-americana CBS, Georgieva destacou que a normalização da situação levará tempo, devido a atrasos nas entregas e danos à infraestrutura. Esses fatores tendem a manter a escassez e a pressão sobre os preços, especialmente nas regiões mais afetadas pela ruptura de oferta.
Georgieva descreveu o choque como “grande” e global, afirmando que “13% do petróleo e 20% do gás que circulariam no mundo agora estão parados há cinco semanas – e contando”. Ela caracterizou a situação como um choque negativo de oferta, onde “você tem menos energia, mas a demanda continua a mesma. O que acontece? Os preços sobem”.
A diretora do FMI ressaltou que todos sentem o impacto da alta dos preços, embora de forma desigual entre os países. Ela apontou que os importadores de energia e economias sem reservas estão enfrentando os efeitos mais agudos, com os países pobres e vulneráveis sendo “duramente atingidos”.
Georgieva também relacionou a escalada dos preços a efeitos em cadeia, que incluem fertilizantes, transportes e remessas, o que pode pressionar os preços dos alimentos. Sobre os Estados Unidos, ela comentou que o país é “um pouco menos impactado” por ser exportador de energia, mas o choque pode atrasar a convergência da inflação à meta, que estava projetada para ocorrer no início de 2027.
Ela observou que a alta de preços funciona como “um imposto sobre a renda”, afetando mais a população de baixa renda. Georgieva mencionou que, em certo momento, os preços do petróleo “dispararam quase 50%” devido à guerra no Irã, e avaliou que parte do efeito já está incorporada.
Além disso, ela destacou que 72 instalações de energia foram atingidas, com um terço delas sofrendo danos severos. Ao comentar sobre o campo de gás no Catar, Georgieva afirmou que levaria “de três a cinco anos para atingir sua capacidade total”, e mencionou riscos em refinarias que, sem suprimento regular, podem parar e demorar a reiniciar.
Por fim, a diretora do FMI comentou sobre o crescimento global, afirmando que a economia mundial vinha mostrando resiliência após sucessivos choques. No entanto, com o conflito, ela previu uma “revisão para baixo” nas projeções de crescimento, cuja magnitude dependerá da “duração” da guerra e da velocidade de retorno da produção ao nível anterior.

