O real tem se apreciado em 2026, resultando em uma queda generalizada de moedas estrangeiras frente à divisa brasileira, incluindo o euro e a libra esterlina. Até abril, o euro recuou de quase R$ 6,50 para a faixa de R$ 5,80, representando uma desvalorização de 8,4% em pouco mais de três meses.
A libra também seguiu uma trajetória semelhante, saindo de níveis próximos a R$ 7,40 para menos de R$ 6,80, o que equivale a uma queda superior a 8,8% no acumulado de 2026. O fortalecimento do real ocorre em um contexto mais amplo, não se restringindo apenas ao enfraquecimento do dólar.
Nos primeiros meses do ano, a moeda brasileira foi favorecida por um ambiente externo mais propício a ativos de risco e por fatores domésticos que sustentam a entrada de capital estrangeiro. Entre esses fatores, destacam-se os juros elevados no Brasil, que ampliam o diferencial de retorno em relação a economias avançadas.
Além disso, investidores internacionais têm reduzido a exposição aos Estados Unidos e buscado oportunidades em mercados emergentes. Questões geopolíticas, como a guerra no Irã, também influenciam esse cenário, afetando principalmente economias importadoras de petróleo e commodities.
Enquanto isso, países exportadores, como o Brasil, se encontram em uma situação mais favorável, contribuindo para a valorização de suas moedas. O cenário monetário em outras regiões, como Europa e Reino Unido, não favorece suas divisas, com inflação mais comportada e perspectivas de juros mais baixos, reduzindo o apelo do euro e da libra para investidores globais.
No caso britânico, sinais de desaceleração econômica reforçam essa tendência. Apesar do desempenho recente do real, a trajetória futura não é garantida. Incertezas internas, como o quadro fiscal brasileiro e o calendário eleitoral, podem alterar o fluxo de capitais e o comportamento do câmbio nos próximos meses.

