O goianiense Paulo Gomes tem chamado atenção nas redes sociais ao desenvolver projetos arquitetônicos fictícios com o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA). Entre os principais trabalhos divulgados por ele estão releituras de espaços conhecidos da capital, como uma renovação do Cine Ritz e do antigo Banana Shopping — atual Panda Atacadão —, ambos no Setor Central.
Um dos projetos mais recentes a ganhar destaque é a concepção de um memorial dedicado às vítimas do Acidente Radiológico de Goiânia, de 1987, no mesmo local que foi cenário de um dos maiores desastres radioativos já registrados. A publicação sobre o memorial recebeu mais de 17 mil curtidas e 874 comentários, tornando-se a mais visualizada do publicitário.
Apesar de haver restrições da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) quanto ao manuseio de áreas afetadas, Goiânia ainda carece de um espaço dedicado a preservar a memória e homenagear as vítimas da tragédia. As propostas de criação de um museu voltado ao tema voltaram à tona com a divulgação da série Emergência Radiológica, da Netflix, que, embora tenha alterado aspectos da narrativa, manteve os principais acontecimentos do caso.
Na Câmara de Goiânia, tramitam projetos de lei que vão desde a criação do espaço memorial até a criação de um feriado municipal sobre a temática. Diante dessa ausência, surgiu o projeto fictício de Gomes, que afirmou em entrevista:
““Eu fiz o projeto com bastante cuidado, porque não é um tema qualquer… é uma tragédia muito séria. A ideia foi criar algo mais simples, mais silencioso mesmo, que passasse respeito, reflexão… não algo chamativo. Foi inspirado no memorial do 11 de Setembro, em Nova York.””
Nascido e criado em Goiânia, Gomes encontrou nas IAs uma oportunidade de divulgar a cidade para o mundo, ao mesmo tempo em que imagina uma renovação futurista para a capital, embora more nos Estados Unidos há sete anos.
““Goiânia sempre está no meu coração. Acho que é por isso que acabo fazendo muitos projetos lá, porque dá uma vontade de ver a cidade evoluindo, melhorando, valorizando mais os seus espaços urbanos. Com minha vivência em outros países, vejo que Goiânia tem um potencial enorme a ser explorado.””
Segundo ele, tudo começou como uma brincadeira com a ferramenta, movida por interesse próprio, somado à afinidade com arquitetura, urbanismo e à história de Goiânia. Dessa combinação nasceram os projetos, que ele pretende continuar desenvolvendo. Gomes também destaca a necessidade de um esforço público voltado à renovação de espaços subutilizados ou abandonados na capital.
““Goiânia tem muitos espaços que são subutilizados ou mal projetados e que poderiam ser melhorados”, disse. “Para que essas ideias e projetos saiam do papel, precisamos de engajamento da população, o que tento fazer com meus vídeos, e de alinhamento entre o setor público e o privado para viabilizar que essas ideias e projetos saiam do campo virtual para o real. A Goiânia que queremos começa pela forma como a gente imagina ela.””

