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Internacional

China e Irã se preparam para enfrentar bloqueio no Estreito de Ormuz

Amanda Rocha
Última atualização: 13 de abril de 2026 12:50
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A escalada de tensões no Golfo Pérsico reacendeu um dos pontos mais sensíveis da geopolítica energética global: o Estreito de Ormuz. Essa região, principal rota de escoamento de petróleo do Oriente Médio, voltou ao centro do debate após indícios de que Irã e China estão mais preparados para enfrentar um eventual bloqueio naval liderado pelos Estados Unidos.

Dados recentes de mercado indicam que Teerã acumulou um volume significativo de petróleo já carregado em navios, o que pode garantir o abastecimento de seu principal comprador, Pequim, por semanas ou até meses, mesmo diante de interrupções logísticas. Nos meses que antecederam o agravamento do conflito, o Irã acelerou suas exportações. Em março, o país embarcou cerca de 1,84 milhão de barris por dia, segundo a consultoria Vortexa. Em fevereiro, o volume foi ainda maior, atingindo 2,15 milhões de barris diários.

Esse ritmo coloca a média recente cerca de 26% acima dos níveis registrados ao longo de 2025, indicando uma estratégia deliberada de antecipação. Analistas interpretam o movimento como uma tentativa de mitigar os efeitos de sanções ou bloqueios, ampliando estoques antes de uma possível escalada militar.

Atualmente, estima-se que cerca de 160 milhões de barris de petróleo iraniano estejam estocados em navios-tanque fora do Golfo Pérsico. Parte desse volume já tem destino certo, principalmente refinarias independentes chinesas, mas outra parcela permanece como reserva flutuante. Esse tipo de armazenamento permite ao Irã manter o fluxo de exportações mesmo que rotas estratégicas sejam temporariamente fechadas, funcionando como um “colchão logístico” em um cenário de crise.

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A relação energética entre Irã e China se intensificou nos últimos anos, especialmente por meio das chamadas refinarias independentes chinesas, conhecidas como “teapots”. Essas empresas respondem por mais de 90% das compras de petróleo iraniano. Embora o governo chinês estabeleça cotas anuais de importação, essas refinarias frequentemente operam no limite das regras, absorvendo petróleo com desconto em meio às sanções ocidentais.

A China importa atualmente cerca de 1,8 milhão de barris diários de petróleo iraniano, volume que poderia ser mantido até meados do ano mesmo sem novos embarques, graças ao estoque já existente. A política de pressão econômica liderada por Donald Trump aposta no estrangulamento das receitas do petróleo como forma de forçar o Irã a negociar.

Teerã, por sua vez, parece adotar uma estratégia de resistência. Ao acumular estoques e garantir um comprador disposto, o país sinaliza que pode suportar a pressão por mais tempo, apostando que o impacto de um bloqueio será sentido mais rapidamente pela economia global do que por sua própria estrutura interna.

Especialistas alertam que qualquer interrupção prolongada no Estreito de Ormuz pode provocar forte volatilidade nos preços do petróleo. Cerca de um quinto do consumo mundial passa pela região, tornando-a um gargalo crítico. A combinação de tensões geopolíticas, estoques estratégicos e rotas alternativas cria um cenário de incerteza para mercados e governos.

O impasse revela uma disputa de tempo. De um lado, os Estados Unidos tentam acelerar os efeitos de sanções e possíveis bloqueios. De outro, Irã e China operam para alongar sua capacidade de resistência. Com reservas em alto-mar e uma parceria energética consolidada, Teerã mostra que está longe de ser um alvo passivo.

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