A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, a existência de uma crise de confiança e de imagem na Corte. Segundo ela, essa situação é uma tendência global, decorrente da dificuldade do direito em acompanhar as mudanças e oferecer respostas aos novos conflitos, como o uso de inteligência artificial e as discussões sobre liberdade de expressão.
Durante uma palestra na Fundação FHC, em São Paulo, Cármen Lúcia afirmou: “Um mundo acabou. As novas tecnologias, os novos agudos problemas que o mundo tem para resolver, que passam no Brasil e que passam no Judiciário, por exemplo, sobre meio ambiente, sobre a questão climática (que pode destruir a humanidade), sobre as questões todas dos direitos dos indígenas, algo que não era nem levado ao Supremo, hoje temos centenas de casos.”
Uma pesquisa recente da Genial/Quaest revelou que 49% dos brasileiros não confiam no STF e que 66% consideram importante que os candidatos ao Senado deste ano sejam comprometidos com o impeachment de ministros, uma pauta defendida por vários candidatos da direita.
Cármen Lúcia, que é relatora do Código de Conduta dos ministros do STF, defendeu a transparência da Corte e a necessidade de discutir mudanças em seu funcionamento. “Minhas agendas são públicas e eu acho que, quanto mais se der essa transparência e essa explicação, tanto melhor para o Poder Judiciário, para o Supremo Tribunal Federal e, principalmente, para nós ali dentro mesmo, de convivência”, disse.
Ela também comentou sobre o volume de processos em andamento, que ultrapassa 80 milhões em todo o Judiciário brasileiro, o que representa mais de um terço da população do país. “Se eu considerar que nós somos 213 milhões, e não se confia no Judiciário, pois se confiasse, quanto seria?”, questionou a ministra, enfatizando a necessidade de a Corte se articular para dar uma resposta à crise de confiabilidade.
“Eu não mudei e nem vou mudar o Supremo, mas o Supremo não me mudou. Eu continuo sendo a pessoa que meu pai e minha mãe criaram”, concluiu Cármen Lúcia ao final da conferência. O envolvimento de familiares de ministros com ramificações do caso Master, incluindo contratos milionários, tem alimentado a discussão sobre o controle da conduta dos ministros do STF.

