Três atletas se destacaram nas redes sociais após um vídeo mostrar saltos sobre um valão no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O feito, que envolve parkour, surpreendeu pela presença de jacarés de grande porte no córrego.
O biólogo Marcello Mello afirmou que a região abriga jacarés-de-papo-amarelo, que não costumam representar risco para os humanos. O evento atraiu a atenção de moradores, que pararam para assistir e torcer pelos atletas. Alguns brincaram, dizendo: “Tamo torcendo pro jacaré”, enquanto outros expressaram dúvidas sobre a segurança do salto.
“”Isso era uma ideia que estava guardada na minha cabeça já há um tempo”, disse o professor de parkour André Vilela, de 23 anos. “Eu não consigo imaginar a gente conseguir fazer um vídeo mais brasileiro do que esse. Tem um jacaré, num esgoto a céu aberto, dentro de uma comunidade, com as pessoas torcendo e como se fosse jogo de futebol!””
André, junto com o colega professor Sávio Estefan, de 30 anos, o dublê Lucas Pêra, de 24 anos, e o engenheiro naval Isaac Mohamad, de 31 anos, todos com mais de dez anos de experiência em parkour, se prepararam para o salto. Eles realizaram o que chamam de “preps”, que envolve medir a distância e treinar o salto em um local seguro.
André mediu a distância de 17 pés, aproximadamente 5 metros, e destacou que a presença dos jacarés foi um atrativo para o salto. “Pular um jacaré é uma coisa inédita, sabe?” afirmou. Ele também reconheceu que o medo é um fator importante para a segurança no esporte.
“”Se você errar sua técnica – e, por isso, ela tem que estar muito boa – você morre”, disse o atleta.”
O grupo ressaltou que o maior risco não era o jacaré, mas sim as bactérias presentes na água do esgoto. O biólogo Ricardo Gomes alertou que a mordida de um jacaré poderia causar feridas profundas, levando a infecções graves.
André comentou sobre a situação do esgoto a céu aberto, afirmando que é uma questão grave que deve ser abordada. O grupo já havia utilizado vídeos anteriores para alertar o poder público sobre problemas urbanos.
Após o salto, a interação com os transeuntes foi intensa, com reações que variaram de rejeição a abraços calorosos. “Eu abracei várias pessoas que eu nunca mais vou ver, provavelmente”, lembrou Pêra.


