A Câmara dos Deputados elegeu na terça-feira, 14 de abril de 2026, o deputado Odair Cunha (PT-MG) como novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Cunha foi eleito com 303 votos e ocupará a vaga destinada à Casa no tribunal.
A votação foi secreta e nominal, com a participação de 456 deputados. Durante o processo, houve 4 votos em branco. Odair Cunha substituirá o ministro Aroldo Cedraz, que se aposentou.
A indicação de Cunha foi transformada em um projeto de decreto legislativo (PDL 249/26), que será enviado ao Senado Federal para nova votação secreta. O novo ministro conta com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de uma coalizão composta por MDB, PT, PDT, PCdoB, PSB e Republicanos.
O segundo candidato mais votado foi o deputado Elmar Nascimento (União-BA), que obteve 96 votos. Os demais candidatos foram Danilo Forte (PP-CE) com 27 votos, Hugo Leal (PSD-RJ) com 20 votos, e Gilson Daniel (Pode-ES) com 6 votos. Antes da votação, as deputadas Adriana Ventura (Novo-SP) e Soraya Santos (PL-RJ) desistiram de concorrer.
Em seu discurso, Odair Cunha destacou que o TCU deve auxiliar o Legislativo e não paralisar políticas públicas. Ele afirmou:
““O tribunal não deve ser entrave, mas farol da boa gestão. É com esse espírito que defendo a função orientadora desse tribunal, que ajude o gestor a acertar, previna problemas e evite desperdícios antes que eles aconteçam.””
Cunha também enfatizou que sua candidatura não pertence ao governo nem a qualquer partido, mas sim ao colegiado de deputados. Ele declarou:
““Serei lá [no TCU] o mesmo homem de palavra que sou aqui nesta Casa. A palavra é sagrada na política e na vida.””
Odair Cunha é advogado e está em seu sexto mandato consecutivo como deputado federal. Ele foi líder da federação PT-PV-PCdoB em 2024 e é autor de 18 projetos que se tornaram lei, incluindo a Lei 14.148/21, que reformulou incentivos do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).
Além disso, foi relator de 230 propostas que se tornaram lei, entre elas a que criou o programa Bolsa Família (Lei 10.836/04) e a da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli, Lei 12.441/11). Cunha também foi relator da CPMI do Cachoeira, em 2012, que investigou a relação do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empreiteiras.

