A pesquisa Genial/Quaest, divulgada recentemente, indica que a economia se torna um dos principais pontos de atenção para o governo Lula no contexto eleitoral. Os dados revelam um aumento na avaliação negativa do cenário econômico, com pressão inflacionária sobre alimentos e altos níveis de endividamento, fatores que podem influenciar o humor do eleitor.
Segundo Felipe Nunes, cientista político responsável pela pesquisa, 50% dos brasileiros afirmam que a economia piorou nos últimos 12 meses, um aumento em relação aos 48% registrados anteriormente. Apenas 21% dos entrevistados percebem melhora, uma queda em relação aos 24% anteriores. A leitura predominante é de deterioração, o que pode impactar a avaliação do governo.
Um dos principais fatores dessa percepção negativa é o aumento nos preços dos alimentos. O percentual de entrevistados que notaram alta nos preços no último mês saltou de 59% para 72%. Esse dado reforça a centralidade da inflação no cotidiano e sugere uma pressão direta sobre o custo de vida, especialmente nas camadas mais vulneráveis da população.
Outro aspecto relevante é o endividamento das famílias. A pesquisa aponta um crescimento significativo no número de brasileiros com dívidas, que subiu de 65% para 72% em um ano. Embora a maioria declare ter “poucas dívidas”, o aumento desse indicador sinaliza uma restrição financeira persistente, o que tende a influenciar a percepção geral da economia.
As medidas adotadas pelo governo, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, ainda não produziram efeitos amplos na renda. O levantamento mostra que 49% dos entrevistados afirmam não ter sentido diferença, enquanto 33% dizem que a renda aumentou “mas não muito” e apenas 17% relatam uma melhora significativa. Cerca de 31% declaram ter sido beneficiados pela política, um número que se mantém estável ao longo dos meses.
Esses indicadores ajudam a explicar por que a economia aparece com menor peso relativo entre as principais preocupações imediatas, citada por 9% dos entrevistados, mas com potencial de crescimento. Segurança pública (27%) e corrupção (19%) lideram as preocupações, enquanto saúde (14%) também avança gradualmente.
No cenário eleitoral, a pesquisa reforça a disputa apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Lula aparece com 37% das intenções de voto, contra 32% do senador, uma diferença que se estreita dentro da margem de erro, indicando um empate técnico. No segundo turno, pela primeira vez, Flávio Bolsonaro registra 42%, ante 40% de Lula, sinalizando um avanço do candidato do PL e uma perda de vantagem do presidente.
Alternativas fora da polarização continuam com desempenho limitado, com Ronaldo Caiado aparecendo com 6% e outros nomes pontuando abaixo disso, mantendo o cenário concentrado entre os dois principais candidatos e reduzindo as chances de definição ainda no primeiro turno.

