Dois réus acusados de matar a ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como “Mãe Bernadete”, foram condenados pelo Tribunal do Júri, em Salvador, na última terça-feira, 13 de abril de 2026.
Arielson da Conceição Santos, executor do assassinato, foi sentenciado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. O mandante, Marílio dos Santos, recebeu uma pena de 29 anos e 9 meses de prisão.
Mãe Bernadete foi assassinada no dia 17 de agosto de 2023, na sede da associação quilombola, na comunidade de Pitanga dos Palmares, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
Segundo as investigações da Operação Pacific, realizadas pela Polícia Civil com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), a líder religiosa foi alvejada com 25 tiros de arma de fogo em várias partes do corpo, dentro da própria casa, onde estavam três netos dela, de 12, 13 e 18 anos.
Ela foi executada “por se posicionar de maneira firme contra a expansão do tráfico no Quilombo e pela retirada da barraca de propriedade de Marílio dos Santos, conhecido como ‘Maquinista’, que era usada para comércio de drogas”, informou o Ministério Público.
Os dois criminosos foram condenados por homicídio qualificado, cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel, mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima e com uso de arma de uso restrito.
““Desde a etapa de produção da prova até a chegada no julgamento, que iniciou no dia de ontem, o Ministério Público sempre esteve confiante pelo trabalho de investigação de excelência feita pela Polícia Civil e pela atuação dos promotores do Gaeco, que também participaram de toda a instrução desse processo. E uma sensação de dever cumprido, de ter o Ministério Público atuado efetivamente pela defesa da vida e de termos conseguido a justiça que Mãe Bernadete e a família merecem”, disse o promotor Raimundo Moinhos.”
Para o filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacifico, “foram dois dias cansativos, mas o que fica é a sensação da justiça sendo feita. Foi doloroso, um crime tão brutal que abalou não só a Bahia, mas o Brasil e o mundo. A defesa, como sempre, tentando defender o indefensável. Mas a gente tem que ter discernimento para ouvir e não absorver tudo isso. No final deu tudo certo. Se fez justiça”, afirmou.
O crime contra Mãe Bernadete ganhou repercussão internacional. “Eu não esquecerei, e o CNJ continuará se empenhando pelo esclarecimento desse bárbaro assassinato”, afirmou pouco dias depois do crime a então ministra Rosa Weber, à época presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF).
A magistrada aposentada e a líder quilombola haviam se encontrado no dia 26 de julho daquele ano, poucas semanas antes do crime. O Ministério Público informou ainda que outros três denunciados, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, ainda serão submetidos a julgamento.

