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Internacional

‘Somos oprimidos no Brasil’: brasileiros buscam residência no Paraguai

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de abril de 2026 05:56
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Marcelo Mendes, arquiteto aposentado de 70 anos de Recife, passou a madrugada na fila para conseguir documentos e tentar a residência no Paraguai. Ele abandonou o plano de se mudar para Portugal, onde sua filha mora, para tentar a vida no país vizinho.

O chefe do serviço de imigração em Ciudad del Este, no Paraguai, anunciou: “Amanhã, às 7h, começaremos a distribuição de fichas. Às 8h, começa o atendimento para quem quer tirar residência.” A mensagem era destinada a centenas de brasileiros que aguardavam em uma longa fila, após um dia inteiro acampados sob o sol forte.

Delly Fragola, de 55 anos, dona de um salão de cabeleireiro em Anápolis, Goiás, disse que estava ali porque o “Brasil não tem mais oportunidades” para seu negócio. “No Paraguai, podemos encontrar mão de obra mais facilitada. No Brasil, ninguém quer trabalhar”, afirmou.

Dilberto Wegrnen, de 63 anos, empresário de Cascavel, Paraná, estava na fila acreditando que “o Paraguai vai ser o maior país da América Latina muito em breve”. Ele criticou o governo Lula e destacou que muitos empresários estão saindo do Brasil em busca de melhores condições tributárias e trabalhistas no Paraguai.

O governo paraguaio tem promovido mutirões para atender a demanda crescente de brasileiros que desejam se mudar para o país. Em 2025, o Paraguai concedeu 40,6 mil autorizações de residência a estrangeiros, sendo 23,5 mil para brasileiros. Para 2026, a expectativa é que esse número aumente ainda mais.

A BBC News Brasil acompanhou a fila do mutirão e constatou que muitos brasileiros estão motivados por suas posições políticas e pela busca de uma vida com mais conforto e menos impostos. Os vídeos nas redes sociais que enumeram as vantagens econômicas de se mudar para o Paraguai têm atraído cada vez mais pessoas.

Zena Cheraze, de 68 anos, professora aposentada do Rio de Janeiro, viajou 1,5 mil km de ônibus até Ciudad del Este. Ela afirmou: “Nós, da direita, nos sentimos as pessoas mais oprimidas. A gente não tem liberdade”. A mudança de perfil dos imigrantes inclui empresários e aposentados que buscam estabilidade econômica e política.

O presidente paraguaio, Santiago Peña, é o nono governante de direita desde a redemocratização do país. Ele criou os mutirões migratórios, que reúnem órgãos como a Direção Nacional de Migração e a Polícia Nacional, para facilitar o processo de imigração. O governo paraguaio busca capitalizar a nova onda imigratória, promovendo o país como um destino atrativo para estrangeiros.

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