O cantor MC Ryan SP e outros famosos, incluindo funkeiros e influenciadores digitais, foram presos em uma megaoperação da Polícia Federal (PF) que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas estimado em R$ 1,6 bilhão. A Operação Narco Fluxo foi realizada na quarta-feira, 15 de abril de 2026, e as audiências de custódia ocorrerão nesta quinta-feira, 16 de abril, na 5ª Vara Federal de Santos.
As audiências, que serão online, começam às 11h e devem se estender ao longo do dia. Até o momento, 33 pessoas foram presas, enquanto seis alvos permanecem foragidos. De acordo com a PF, ninguém foi liberado nas audiências de quarta-feira, e a expectativa é que o mesmo ocorra hoje.
As audiências de custódia têm como objetivo ouvir os presos e seus advogados, além de verificar se houve abuso ou violência policial durante as prisões. O juiz também ouve representantes do Ministério Público, mas não analisa o mérito das acusações nessa fase. Ao final, pode manter as prisões, conceder liberdade provisória ou aplicar medidas cautelares alternativas.
Entre os presos estão MC Ryan SP, o influenciador Chrys Dias e sua esposa, Débora Paixão, todos levados para a sede da PF em São Paulo. No Rio de Janeiro, está detido o funkeiro MC Poze do Rodo, e em Goiás, Raphael Souza, responsável pela página Choquei, uma das maiores de entretenimento nas redes sociais.
A PF informou que o grupo ligado a MC Ryan SP é suspeito de lavar dinheiro do tráfico de 3 toneladas de cocaína. Durante a operação, foram apreendidos veículos de alto padrão, armas, joias e objetos de valor, incluindo um colar com a imagem de Pablo Escobar.
MC Ryan SP, um dos artistas mais ouvidos do Brasil, foi preso na Riviera de São Lourenço, em Bertioga. Ele já havia se envolvido em polêmicas, como agressões e ostentação de bens de luxo. Chrys Dias, com mais de 14 milhões de seguidores, é investigado por promover rifas e sorteios online de bens de alto valor, que podem estar ligados à movimentação de recursos ilícitos.
MC Poze do Rodo, um dos principais nomes do funk carioca, é investigado por movimentações financeiras incompatíveis com sua renda declarada. Raphael Souza, da página Choquei, também é alvo da investigação por suspeita de participação no esquema de lavagem de dinheiro.
A PF descreve MC Ryan SP como peça central do esquema, que utilizava funkeiros e influenciadores para ocultar recursos do tráfico de drogas. O grupo teria usado vendas de ingressos, rifas digitais e apostas ilegais para “limpar” o dinheiro do crime, convertendo parte dos valores em criptomoedas.
Durante a operação, a PF apreendeu 53 celulares, 56 mídias eletrônicas, 56 itens de joias e relógios, 120 armas e munições, 55 carros de luxo e R$ 300 mil em dinheiro. Os veículos apreendidos estão avaliados em mais de R$ 20 milhões. A Justiça autorizou a quebra de sigilo de aparelhos eletrônicos para aprofundar as investigações.
As defesas dos presos ainda não se manifestaram sobre os detalhes do caso. O advogado de MC Ryan SP afirmou que não teve acesso aos autos, enquanto o advogado de MC Poze do Rodo planeja buscar a liberdade do cantor na Justiça.


