Representantes dos Estados Unidos e do Hamas se reuniram para as primeiras conversas diretas desde o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, firmado em outubro de 2025. O encontro ocorreu no Cairo, capital do Egito, na noite de terça-feira, 14 de abril de 2026.
A delegação americana foi liderada pelo conselheiro sênior Aryeh Lightstone, acompanhado pelo Alto Representante do Conselho da Paz para Gaza, Nickolay Mladenov. Do lado do Hamas, a equipe foi chefiada por Khalil al-Hayya, um representante do conselho de liderança do grupo palestino.
As tratativas tinham como objetivo estabelecer as bases para a próxima fase do acordo de cessar-fogo, que inclui o desarmamento do Hamas, o envio de uma força internacional para Gaza e a retirada das Forças de Defesa de Israel (IDF) do território palestino. No entanto, as negociações rapidamente estagnaram após a delegação liderada por al-Hayya afirmar que seu grupo só entregará as armas quando Tel Aviv honrar os compromissos da fase 1 do acordo.
A trégua mediada em outubro de 2025 pôs fim a dois anos de um sangrento conflito na Faixa de Gaza. Apesar do tratado determinar a interrupção das hostilidades, Tel Aviv nunca parou de bombardear o enclave e continuou com operações militares. Desde a implementação do cessar-fogo, ataques das IDF já resultaram na morte de mais de 765 pessoas, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.
Uma fonte sênior do Hamas declarou que a proposta apresentada pelos EUA é desequilibrada, focando apenas no desarmamento do grupo e ignorando as obrigações não cumpridas por Israel na fase 1. “O documento proposto reflete um grande desequilíbrio na ordem das prioridades: a segurança de Israel em primeiro lugar, enquanto os direitos humanitários, políticos e administrativos dos palestinos são adiados”, afirmou a autoridade.
Em meio ao impasse, a fonte também mencionou que Mladenov adotou uma postura hostil, insinuando que Israel reiniciaria a guerra caso o Hamas não aceitasse o desarmamento. “Chegou ao ponto em que ele transmitiu ameaças veladas: aceitar o acordo ou enfrentar um retorno à guerra”, disse a fonte.


