A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais está ganhando destaque no Brasil. O economista Euzébio Jorge, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirma que essa medida representa um ‘salto civilizacional’ necessário para o país.
A proposta central é simples: dedicar menos tempo ao trabalho exaustivo e mais tempo ao estudo, qualificação e reorganização da vida produtiva. A longo prazo, isso tende a fortalecer a economia.
Segundo Jorge, discutir a jornada de trabalho impacta diretamente a estrutura de custos das empresas e a demanda da economia. O tempo livre não é apenas um momento de descanso, mas também uma oportunidade para consumo, educação e reorganização da produtividade. Quando os trabalhadores têm espaço para planejar suas rotinas, a qualidade do trabalho melhora, refletindo em diferentes setores.
Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que jornadas menores, sem redução salarial, costumam elevar a produtividade. Jorge argumenta que trabalhadores menos exaustos produzem mais em menos tempo, desafiando a ideia de que mais horas de trabalho significam maior eficiência.
Outro ponto importante é a qualificação profissional. Jorge observa que trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas geralmente têm menor escolaridade e renda média inferior. Aqueles que trabalham menos horas conseguem investir em cursos e capacitação, ampliando seu potencial de renda. Assim, a redução da jornada pode atuar como uma política indireta de educação e melhoria da produtividade.
Além disso, há um impacto positivo na economia criativa. Com mais tempo livre, os trabalhadores tendem a consumir serviços de lazer, cultura e turismo, movimentando setores que dependem do tempo disponível da população. Jorge acredita que esse ciclo contribui para ampliar a atividade econômica e diversificar as fontes de crescimento.
Sobre a implementação da redução da jornada, Jorge considera desnecessário um longo período de transição. Ele argumenta que o Brasil possui um contingente suficiente para absorver ajustes, dada a elevada informalidade, desemprego e subutilização da mão de obra. Para ele, reduzir a jornada é uma questão de justiça social e parte de um projeto de desenvolvimento, onde trabalhar menos não significa produzir menos, mas abrir espaço para qualificação, renda maior e crescimento mais equilibrado.

