Na última quinta-feira (16), empresários e sócios presos durante a Operação Inceptio, realizada no Acre e em outros estados, passaram a ser réus no processo judicial. Os irmãos John Muller Lisboa, Mayon Ricary Lisboa e Marck Johnnes Lisboa, juntamente com o primo Douglas Henrique da Cruz e o empresário André Borges, foram denunciados pela Justiça do Acre por crimes relacionados ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A Operação Inceptio, que ocorreu em diversas cidades, incluindo Rio Branco, Porto Velho, Ubá, Camaçari, Ilhéus, Salvador, Cabedelo e São Paulo, resultou na prisão dos acusados em 2025. Além dos cinco réus, outras nove pessoas também responderão pelos crimes investigados.
Marck Johnnes teve sua prisão preventiva decretada e se apresentou à polícia no mesmo dia em que a denúncia foi recebida. Os crimes atribuídos aos réus incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e dano qualificado ao patrimônio público. O Ministério Público do Acre (MP-AC) identificou Marck Johnnes como líder do grupo criminoso.
“”Os autos revelam que Marck Johnnes da Silva Lisboa teria desempenhado papel relevante na estrutura do grupo investigado, exercendo função de liderança e coordenação das atividades ilícitas relacionadas à lavagem de dinheiro e tráfico de entorpecentes”, afirmou o juiz Alex Ferreira Oivane.”
Marck Johnnes havia sido libertado em dezembro do ano anterior, sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. André Borges foi solto dois dias após a operação, mas sua liberdade foi revogada em novembro, junto com a de Mayon Ricary, sendo ambos liberados na mesma decisão que relaxou a prisão de Marck Johnnes.
As acusações específicas contra os réus incluem: Marck Johnnes Lisboa – integrar organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro por 38 vezes e dano qualificado ao patrimônio público; André Borges – integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro; Douglas Henrique da Cruz – integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro; John Muller Lisboa – integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro; Mayon Ricary Lisboa – integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro por sete vezes.
O MP detalhou que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas, sendo responsável pelo envio de drogas para outros estados e pela movimentação do dinheiro obtido com a atividade criminosa. Os envolvidos utilizavam termos codificados em conversas para tratar das atividades ilegais.
Os irmãos Lisboa e o primo Douglas são proprietários de várias empresas que organizam eventos no estado. Marck Johnnes é diretor geral da empresa Inove Eventos, que havia anunciado a vinda do DJ Alok para Rio Branco, show que foi cancelado após as prisões. John Muller Lisboa ocupava um cargo na Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre e foi exonerado no dia seguinte à prisão.
A Justiça bloqueou mais de R$ 130 milhões em contas bancárias do grupo e apreendeu bens avaliados em cerca de R$ 10 milhões. A investigação revelou que o grupo atuava em seis estados, enviando grandes quantidades de drogas do Acre para o Nordeste e o Sudeste, utilizando contas bancárias, criptomoedas e empresas de fachada para movimentar o dinheiro do tráfico.
“”Identificamos que tinha um grupo de narcotraficantes que revendia drogas para os estados do Nordeste e Sudeste e para internalizar o dinheiro, utilizava diversas pessoas físicas e jurídicas para lavar dinheiro”, disse o delegado André Barbosa, da PF-AC.”

