A brasileira Célia Maria Cassiano passou por suicídio assistido na Suíça no dia 15 de abril de 2026. Ela entrou em um quarto, deitou-se em uma cama e ingeriu, por conta própria, uma substância amarga prescrita por um médico. Entre três e cinco minutos depois, Célia adormeceu e morreu sem dor. A morte foi comunicada às autoridades locais, que seguiram o protocolo para verificar a legalidade do procedimento.
Na Suíça, o suicídio assistido exige o cumprimento de critérios médicos e legais, além de um custo que gira em torno de R$ 65 mil (11 mil francos suíços). Célia, aos 67 anos, recebeu em 2025 o diagnóstico de uma doença neurodegenerativa que compromete progressivamente os movimentos e a fala, mas preserva a consciência. Ela expressou em vídeo:
““Eu não queria ficar totalmente dependente, presa numa cama, ligada a aparelhos.””
A perda de autonomia se tornou uma realidade em sua vida, e Célia relatou:
““Hoje eu preciso de três pessoas para me levarem no banheiro: uma me levanta, uma tira minha roupa, outra me ajuda a sentar.””
A decisão de interromper a própria vida foi resultado de um processo reflexivo.
““Eu decidi lutar pelo meu direito de ter uma morte digna.””
No Brasil, não há legislação que autorize qualquer forma de morte assistida, o que inclui tanto o suicídio assistido quanto a eutanásia. A advogada e especialista em direito médico Luciana Dadalto afirmou que a ausência de regulamentação impede que pessoas que desejam essa escolha tenham um caminho formal. A entidade que ela preside, Eu Decido, atua na defesa da autonomia do paciente em decisões de fim de vida.
A Suíça é atualmente o único país que aceita estrangeiros não residentes para o suicídio assistido, o que torna essa decisão um processo complexo e custoso. Célia passou meses se preparando, reunindo documentos e laudos médicos, e em alguns momentos precisou omitir o objetivo final da viagem para avançar nas etapas burocráticas.
O modelo suíço permite apenas a forma auto administrada do procedimento. Após a chegada, o paciente deve passar por avaliações médicas e psiquiátricas independentes. No dia marcado, o medicamento é retirado em farmácia, e a pessoa decide o momento de ingeri-lo. A morte ocorre em poucos minutos, e as autoridades verificam a documentação e a ausência de coação após o falecimento.
Enquanto o Brasil mantém a proibição, outros países da América Latina, como o Uruguai, estão avançando na regulamentação da eutanásia. Célia, em seus últimos dias, decidiu fazer turismo e refletiu sobre sua decisão:
““Eu quero uma morte sem dor.””
Ela deixou um recado:
““Lutem por esse direito no Brasil. Não é uma obrigação. É uma escolha.””


