O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta altos índices de reprovação, que ameaçam seu projeto de reeleição. Apesar de indicadores positivos, como a taxa de desemprego mais baixa da série histórica e o crescimento da renda média, o mau humor dos eleitores está ligado ao endividamento recorde das famílias brasileiras.
O governo planeja lançar um pacote emergencial para ajudar aqueles que não conseguem pagar suas contas. Uma das propostas em discussão inclui o uso de parte dos recursos do FGTS para aliviar a situação financeira dos endividados. No entanto, essa medida é vista como uma solução de curto prazo, sem abordar as causas do endividamento.
Atualmente, a soma das dívidas das pessoas físicas no Brasil se aproxima de R$ 4,5 trilhões, com um aumento de 40% desde a posse de Lula, em janeiro de 2023, segundo o Banco Central. O número de cidadãos inadimplentes subiu de 70 milhões para quase 82 milhões no mesmo período. Uma pesquisa Genial/Quaest revelou que 50% da população acredita que a situação econômica piorou, com a elevação do custo de vida sendo um fator determinante.
O consultor político Gaudêncio Torquato afirma que a população percebe um esgotamento do modelo econômico adotado por Lula, resultando em uma perda de credibilidade. A ex-ministra Gleisi Hoffmann atribui a piora da situação financeira a fatores externos, como os sites de apostas e os altos juros.
O governo, no entanto, não menciona que a taxa Selic está em 14,75% ao ano devido à sua própria política econômica. A falta de um ajuste fiscal contribui para o aumento do endividamento da União e das dívidas pessoais. Comparando com outros países emergentes, as dívidas das famílias brasileiras representam 35% do PIB, enquanto no México e na Turquia são 17% e 10%, respectivamente.
Além dos juros altos e das apostas, a precariedade do emprego e o aumento do custo de vida também agravam a situação. A inflação, que superou a meta de 3% nos três anos de governo Lula, corroeu a renda das famílias, que têm 29% de seus ganhos comprometidos com dívidas.
O Ministério da Fazenda está desenvolvendo um novo programa de renegociação de dívidas, que se sucederá ao Desenrola Brasil, lançado em 2023. O foco será ajudar pessoas que ganham até cinco salários mínimos, priorizando dívidas de cartão de crédito e cheque especial. O ministro Dario Durigan afirmou que a expectativa é que parte das dívidas possa ser perdoada em até 90%.
O governo também estuda liberar 20% dos saldos do FGTS para o pagamento de dívidas, mas essa proposta já enfrenta críticas. O uso do FGTS para aumentar a popularidade do governo não é uma novidade, e a Abrainc estima que R$ 140 bilhões foram retirados do fundo nos últimos nove anos para turbinar o consumo.
Embora 70% da população apoie um novo programa para ajudar os endividados, a solução proposta pode não resolver o problema estrutural do endividamento no Brasil. Para reverter a tendência de alta das dívidas, é necessário um ajuste fiscal e a redução dos juros, o que parece improvável antes das eleições de 2026.

