A Polícia Federal (PF) identificou um esquema de ocultação patrimonial envolvendo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A operação, chamada Compliance Zero, resultou na prisão de Costa e de Daniel Monteiro, advogado de Vorcaro, além de mandados de busca e apreensão contra Hamilton Edward Suaki, cunhado de Monteiro.
Suaki é apontado como diretor formal de um conjunto de empresas imobiliárias que encobrem a titularidade real de bens avaliados em R$ 146,5 milhões. As investigações revelaram mensagens trocadas entre Costa e Monteiro, onde discutem a criação de uma estrutura empresarial para ocultar a propriedade dos imóveis. Monteiro mencionou:
““A documentação está pronta. Só falta: 1. Confirmar imóveis e valores. Vou te enviar a seguir para vc validar.””
A PF informou que a operação investiga crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foram expedidos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em Brasília e São Paulo. Os alvos incluem Paulo Henrique Costa, Daniel Monteiro, Thaisa Menzato, Arthur Caixeta Nogueira, Monteiro Rusu e Hamilton Edward Suaki.
Suaki foi designado diretor de seis sociedades anônimas criadas para receber aportes de fundos de investimento e adquirir propriedades de luxo. As empresas Allora, Lenore, Stanza, Domani, Chesapeake e Milano estão registradas no mesmo endereço do escritório de advocacia ligado a Monteiro. A reportagem tentou contato com Suaki, que não respondeu.
As investigações indicam que Costa negociou pelo menos seis imóveis de Vorcaro, avaliados em cerca de R$ 140 milhões, como forma de propina para facilitar negócios entre os bancos. Até o momento, cerca de R$ 74 milhões foram pagos. O pagamento total não foi concluído porque Vorcaro soube da investigação sobre o pagamento de propina ao ex-presidente do BRB.


