O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra meningite do tipo B para crianças menores de 1 ano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026.
Com essa determinação, o imunizante continua fora do calendário público infantil, mesmo sendo eficaz contra o sorogrupo mais frequente da doença meningocócica no Brasil. Assim, as famílias que desejarem imunizar seus filhos contra a meningite B precisarão recorrer à rede privada, onde cada dose custa, em média, entre R$ 600 e R$ 750. Considerando que o esquema de vacinação inclui duas a três aplicações no primeiro ano de vida, além de reforço, o custo total pode ultrapassar R$ 2 mil.
Atualmente, o SUS oferece vacinas contra outros sorogrupos da bactéria, como o tipo C e o ACWY, mas não contempla o tipo B. A decisão foi baseada em uma recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que avalia a inclusão de novas vacinas considerando eficácia, segurança, impacto epidemiológico e custo.
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explicou que a análise envolve não apenas a importância da doença, mas também fatores como número de casos, gravidade, custo da vacina, capacidade de produção e logística de distribuição em um país com milhões de nascimentos anuais.
Embora a meningite B seja causada pelo sorogrupo mais prevalente, Kfouri afirmou que a doença não é considerada frequente o suficiente para justificar a vacinação universal, especialmente diante do alto custo do imunizante. O orçamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é limitado e compete com outras possíveis incorporações.
Kfouri destacou que decisões desse tipo envolvem escolhas entre ampliar a cobertura de vacinas já existentes ou incluir novos imunizantes com menor impacto populacional. O preço atual da vacina contra meningite B é um dos principais obstáculos para sua adoção no SUS.
Apesar da negativa para uso universal, há a possibilidade de que a vacina seja utilizada em grupos específicos, como pessoas imunossuprimidas ou em situações de surtos localizados, onde o risco de transmissão e gravidade pode ser maior. Essa estratégia permitiria ampliar a proteção sem gerar o mesmo impacto orçamentário de uma vacinação em massa.
A portaria prevê que a vacina poderá ser reavaliada pela Conitec caso surjam novas evidências ou mudanças que alterem o cenário atual, como redução de preço ou novos dados de impacto.
A meningite meningocócica é uma infecção que pode evoluir rapidamente, levando à morte ou deixando sequelas importantes, especialmente em crianças pequenas. A vacinação é a principal forma de prevenção, mas no caso do tipo B, o acesso permanece limitado a quem pode pagar.

