A Itaipu Binacional, em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), adquiriu uma nova área para o assentamento da comunidade Avá Guarani, localizada na região Oeste do Paraná. O imóvel possui 107 hectares e está situado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros de Foz do Iguaçu.
A nova área, que será chamada de Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço atualmente ocupado pelas 27 famílias da comunidade, que totalizam cerca de 90 pessoas. Atualmente, essas famílias vivem em um terreno de apenas 9 hectares, em condições precárias, na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses.
“”A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.”
O processo de compra de terras faz parte de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2025, que visa assegurar reparação histórica pela violação dos direitos humanos dos Avá-Guarani. Durante a construção da usina, na década de 1970, a etnia sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais devido à criação do reservatório.
O acordo estabelece que pelo menos 3 mil hectares de terra serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, com um custo inicial de R$ 240 milhões. O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, destacou que essa ação é um passo importante para a promoção de condições de vida digna para a população indígena.
“”Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou Enio Verri.”
Além da aquisição de terras, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. A Funai será responsável pela destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas.
Até o momento, a Itaipu investiu R$ 84,7 milhões na compra de terras para as comunidades indígenas afetadas pela construção da usina. O valor inclui a Fazenda América, adquirida por R$ 17,6 milhões, além de outras propriedades como a Fazenda Brilhante e a Fazenda Amorim. A meta é alcançar 3 mil hectares, com um investimento total de R$ 240 milhões.
A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o que equivale a 700 campos de futebol padrão FIFA.


