A iniciativa privada assumirá, nos próximos meses, a manutenção e a gestão de serviços não pedagógicos de 95 escolas estaduais de Minas Gerais. No dia 30 de março, o IG4 BTG Pactual Health Infra venceu o leilão realizado pelo governo do estado, com uma proposta de R$ 22,3 milhões de contraprestação mensal.
O edital da Parceria Público-Privada (PPP) prevê uma concessão administrativa para reforma, conservação, manutenção, gestão e operação de serviços não pedagógicos em 95 escolas, distribuídas em 34 municípios. O contrato terá duração de 25 anos e estabelece investimentos de cerca de R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 1,25 bilhão para obras de modernização e R$ 3,9 bilhões para a operação e a prestação dos serviços.
A Opy, controlada pela IG4 Capital, será responsável pelos serviços, que incluem manutenção predial, fornecimento de utilidades, limpeza, jardinagem, tecnologia da informação, vigilância, climatização e controle de acesso.
Das 95 escolas, 34 estão localizadas no Norte de Minas, 21 em Belo Horizonte e 40 na Região Metropolitana, atendendo cerca de 70 mil estudantes. A maioria dessas instituições recebeu investimentos recentes do estado, totalizando R$ 42 milhões entre 2022 e 2025, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A previsão é que a empresa comece a atuar nas escolas até junho deste ano. Segundo a secretária adjunta de Educação de Minas Gerais, Stephanie Carvalho, a concessão dos serviços não pedagógicos à iniciativa privada deve gerar uma economia de mais de R$ 650 milhões para os cofres públicos ao longo de 25 anos. Ela afirmou que a parceria permitirá que diretores e professores se concentrem mais nas atividades pedagógicas.
“”O nosso objetivo é tirar o diretor da escola de ficar resolvendo pequenos problemas de infraestrutura. Ele gasta um tempo enorme para ter que ficar fazendo processo licitatório ou cotações para arrumar lâmpada, vaso sanitário e banheiro, reformar escola, pintar escola. Então, nosso objetivo é que, com essa concessão, a gente passe a liberar o tempo do diretor para cuidar da parte pedagógica, que é o nosso coração”, afirmou.”
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) contesta a parceria, afirmando que isso representa um passo para a educação ser vista como uma mercadoria. A coordenadora-geral do sindicato, Denise Romano, questionou o interesse de um grupo econômico ligado a um banco na gestão de escolas públicas.
“”Algumas perguntas precisam ser feitas, a gente também não sabe a resposta. Por que um grupo econômico ligado a um banco se interessa pela gestão e manutenção de escolas públicas estaduais?”, questionou.”
Sobre a manutenção dos empregos, o contrato não garante a continuidade dos trabalhadores, apenas menciona que a concessionária deverá avaliar a possibilidade de absorver profissionais anteriormente vinculados. O governo de MG afirmou que valoriza os profissionais que já atuam nas escolas e orienta que a concessionária priorize sua contratação.
O presidente da Opy, Matheus Renault, destacou que a operação é exclusiva da empresa, que já atua em serviços semelhantes, como no Hospital do Barreiro em Belo Horizonte. Ele afirmou que a intenção é garantir um ambiente escolar adequado para o aprendizado.
“”A gente precisa que essas pessoas que têm um vínculo histórico, que tenham conhecimento e conhecem as pessoas, sejam nossos parceiros no futuro também”, disse.”

