Gideon Batista de Menezes, de 58 anos, foi condenado a 397 anos, 8 meses e 4 dias de prisão por ser apontado como líder da chacina que resultou na morte de 10 pessoas de uma mesma família no Distrito Federal. A sentença foi proferida na noite de sábado (18), após seis dias de julgamento no Tribunal do Júri.
O juiz Taciano Vogado Rodrigues Junior definiu a pena com base na participação de Gideon em diversos crimes, incluindo homicídios qualificados, extorsão mediante sequestro, ocultação de cadáver, roubo, associação criminosa e corrupção de menores. Outros dois réus, Carlomam dos Santos Nogueira e Horácio Carlos Ferreira Barbosa, também receberam penas superiores a 300 anos, enquanto Fabrício Silva Canhedo foi condenado a 202 anos. Carlos Henrique Alves da Silva, por sua vez, recebeu uma pena de 2 anos e deve ser libertado após os trâmites legais.
Os crimes ocorreram entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 e foram motivados pela disputa pela posse de uma chácara avaliada em R$ 2 milhões, onde algumas das vítimas residiam. O grupo atuou de forma organizada, com divisão de tarefas, conforme a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT).
O julgamento começou na segunda-feira (14) e incluiu depoimentos de testemunhas e interrogatórios dos réus. Gideon, apontado como líder, negou participação ativa e alegou que Thiago Belchior, uma das vítimas, teria liderado o plano. Horácio optou por permanecer em silêncio, enquanto Fabrício admitiu sua participação, mas negou envolvimento nas mortes. Carlomam confessou ter atirado em uma das vítimas, mas alegou que foi acidental. Carlos Henrique afirmou que participou apenas de um roubo.
A sentença foi proferida após uma votação sigilosa dos jurados, que durou todo o dia. As penas foram definidas individualmente, levando em conta a participação de cada réu nos crimes. Os réus Gideon, Horácio, Carlomam e Fabrício deverão cumprir pena em regime inicial fechado, enquanto Carlos Henrique deve ser colocado em liberdade.
As defesas dos réus podem recorrer da decisão, mas a Constituição Federal garante a soberania dos veredictos do Júri, o que impede que tribunais superiores alterem a decisão dos jurados. A investigação revelou que mais de cem crimes foram cometidos pelos réus, caracterizando a chacina como um plano cruel e torpe.


