Um novo mecanismo de busca online na Alemanha ajuda as pessoas a descobrir se seus antepassados foram membros do Partido Nazista. A ferramenta foi criada pelo jornal alemão Die Zeit, em cooperação com arquivos na Alemanha e nos Estados Unidos.
Christian Rainer, da Áustria, encontrou o nome de seu avô, Franz Rainer (1886-1961), ‘em poucos segundos’. Ele afirmou que seu avô se tornou membro do Partido Nazista por volta de 21 de abril de 1938, poucos dias após o Anschluss, a anexação da Áustria pela Alemanha. Rainer destacou que seu avô solicitou a filiação ao partido apenas cinco dias depois de isso se tornar legal na Áustria.
Rainer, ex-editor da revista austríaca Profil, disse: ‘Eu sempre soube que ele era próximo dos nazistas, mas me surpreendeu o fato de ter levado apenas cinco dias para se juntar a eles. Ele era um acadêmico. Em 1938, ele deveria saber quem eram os nazistas.’
A ferramenta de busca permite acessar milhões de fichas de filiação do Partido Nazista, conhecidas como ‘NSDAP-Mitgliederkartei’. Desde o seu lançamento, no início de abril, a ferramenta foi ‘acessada milhões de vezes e compartilhada milhares de vezes’, segundo Judith Busch, porta-voz do Die Zeit.
Rainer também comentou que a ferramenta foi importante para inocentar outros membros de sua família, incluindo seu pai. ‘Fiquei feliz por não encontrar mais ninguém da minha família, especialmente meu pai. Nunca suspeitei que ele fosse nazista. Ele foi convocado para o Wehrmacht em 1941 e ficou ferido algumas vezes.’
O Die Zeit afirmou que a resposta ao mecanismo de busca foi ‘avassaladora’. Um usuário escreveu: ‘Já encontrei dois parentes próximos, o que destrói o mito de que ninguém na nossa família esteve envolvido. Ter minha perspectiva transformada aos 71 anos é um choque amargo.’
Cerca de 10,2 milhões de alemães se tornaram membros do partido entre 1925 e 1945. As fichas de filiação, que estavam armazenadas na sede nazista em Munique, quase foram destruídas nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Elas foram salvas por Hanns Huber, diretor de uma fábrica de papel, que as entregou aos americanos.
As fichas ajudaram a identificar pessoas e tiveram um papel fundamental no processo de desnazificação na Alemanha do pós-guerra. Em 1994, foram transferidas para o Arquivo Federal Alemão, e cópias em microfilme foram enviadas ao Arquivo Nacional dos EUA, em Washington D.C. Até recentemente, as consultas eram feitas apenas por meio de um pedido formal ao Arquivo Federal Alemão, mas em março deste ano, o arquivo dos EUA passou a disponibilizar seus registros online.
Christian Rainer afirmou que as informações ainda têm grande repercussão. Ele observou que, anteriormente, as pesquisas se concentravam em ‘pessoas de alto escalão que mais tarde se tornaram políticos, juízes ou médicos’. Agora, muitas pessoas estão pesquisando familiares, tornando isso algo muito individual. ‘Oito décadas após o fim da guerra, ainda é possível descobrir verdades que você não conhecia antes.’


