O Tribunal do Júri do Distrito Federal e Territórios, em Planaltina, condenou neste sábado, 18, os cinco réus envolvidos na maior chacina da história do Centro-Oeste, onde dez pessoas da mesma família foram assassinadas. O julgamento durou seis dias e contou com a oitiva de 18 testemunhas.
A decisão do Conselho de Sentença reconheceu a prática de homicídios qualificados, roubos, ocultação e destruição de cadáveres, sequestro, fraude processual, associação criminosa e corrupção de menor. A votação dos quesitos ocorreu em sala secreta e o resultado foi anunciado por volta das 22h30.
As penas aplicadas variam de dois anos de reclusão, a menor entre os condenados, a 397 anos, oito meses e quatro dias, a mais elevada. Os demais réus receberam penas superiores a 200 anos de prisão.
Gideon Batista de Menezes recebeu a maior pena, de 397 anos, oito meses e quatro dias de reclusão, além de um ano e cinco meses de detenção. Ele foi apontado pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) como líder do grupo e condenado por todos os crimes.
Horácio Carlos Ferreira Barbosa teve pena fixada em 300 anos, seis meses e dois dias de reclusão, além de um ano de detenção, e também foi condenado por todos os crimes. Carlomam dos Santos Nogueira foi condenado a 351 anos, um mês e quatro dias de reclusão, mais 11 meses de detenção.
Fabrício Silva Canhedo recebeu pena de 202 anos, seis meses e 28 dias de reclusão, além de um ano de detenção, por crimes como extorsão mediante sequestro, associação criminosa e outros relacionados à manutenção do cativeiro, mas não foi responsabilizado diretamente pelas mortes.
Carlos Henrique Alves da Silva recebeu pena de dois anos de reclusão por cárcere privado e cumprirá a pena em regime semiaberto, enquanto os demais iniciarão o cumprimento em regime fechado.
O crime ocorreu na chácara da família no dia 28 de dezembro de 2022, quando o mecânico Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos, foi a primeira vítima, seguido por sua esposa, Renata Juliene Belchior, de 52, e pela filha do casal, Gabriela Belchior de Oliveira, de 25 anos. Elizamar Silva, de 39 anos, cabeleireira, e seus três filhos, incluindo gêmeos de 6 anos, também foram assassinados.
Os corpos de Elizamar e das crianças foram encontrados carbonizados dentro do carro da vítima em Cristalina (GO). O marido de Elizamar, Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos, desapareceu junto com a irmã, o pai e a mãe dele. O carro do sogro da cabeleireira foi encontrado em Unaí (MG), onde estavam outros dois corpos.
As investigações, realizadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) em parceria com a Polícia Civil de Goiás (PCGO), revelaram que a chacina foi motivada pela posse de uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em R$ 2 milhões, na região do Paranoá, onde algumas das vítimas residiam. As terras já eram alvo de disputa na Justiça antes do crime.


