A revista britânica The Economist publicou uma reportagem que destaca a situação do Rio de Janeiro como um alerta para o Brasil. O estado, que se apresenta como um cartão-postal e vive um momento positivo no turismo, enfrenta uma grave crise política e de segurança.
A reportagem ressalta que, apesar das belezas naturais e da fama de festas, o Rio está ameaçado pela instabilidade política, corrupção e a presença de facções e milícias. A situação é descrita como um “aviso” sobre a “infiltração sistêmica” do crime nas instituições públicas.
Atualmente, o estado não possui governador nem vice, sendo administrado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do estado, que carece de experiência em gestão. A incerteza sobre a eleição para o sucessor do magistrado persiste, com a decisão a ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que paralisou o julgamento sem previsão de retorno.
A reportagem foi publicada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar a inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro por oito anos, devido a abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A dúvida central gira em torno de quem deve comandar o estado até o fim do mandato, com o STF discutindo se a escolha do novo governador deve ser feita por eleição direta ou indireta.
Em 9 de abril, o STF adiou a decisão, prolongando o impasse político no Rio. A crise institucional se intensificou com a cassação e prisão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, que foi preso novamente em 27 de março por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sob suspeita de vazar informações sigilosas sobre um inquérito da Polícia Federal.
A publicação também menciona episódios emblemáticos da violência política, como o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Em fevereiro deste ano, o STF condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a mais de 76 anos de prisão por encomendar o crime. A The Economist argumenta que a situação no Rio vai além de escândalos individuais, retratando um ambiente onde o poder paralelo é tolerado por partes da elite política.


