O ex-jogador do Corinthians e da seleção da Ucrânia, Júnior Moraes, comentou sobre sua experiência no conflito entre Rússia e Ucrânia em 2022. A guerra, iniciada pela Rússia, é um conflito militar de grande escala motivado pela busca de influência russa na região e a oposição à expansão da Otan. O conflito gerou uma grave crise humanitária em cidades ucranianas.
No programa CNN Esportes S/A deste domingo (19), Júnior falou da situação caótica que se formou desde o primeiro dia de ataque, mencionando que já havia perdido a esperança no terceiro dia de conflito. Ele descreveu: ‘Foi uma loucura que aconteceu em 2022 num período onde eu fui dormir em paz e acordei 5 da manhã em guerra. A gente viveu os quatro primeiros dias, onde do momento que teve o primeiro ataque, já tinha acabado o combustível, a escassez de alimentação, a estrada toda fechada, -12 graus. Então, todas as circunstâncias eram contrárias para a gente sair dali. No terceiro dia que a gente já não tinha mais esperança de sair dali.’
O brasileiro naturalizado ucraniano também comentou sobre a dificuldade de sair e a ajuda que o Brasil ofereceu aos conterrâneos no meio do conflito. ‘A gente ficou ali todos juntos durante quatro dias tentando essa saída e não conseguia. Muita gente no Brasil tentou ajudar a gente, os políticos, a imprensa. Eu agradeço muito todas aquelas pessoas até hoje, porque muita gente se comoveu para poder tentar ajudar.’
A solução para a saída de Júnior, de sua família e de outros brasileiros surgiu quando o presidente da Uefa, Aleksander Čeferin, organizou uma logística de fuga para a Moldávia, país vizinho. O ex-jogador afirmou que ele e sua família poderiam morrer de frio ou fome. ‘O presidente da Uefa conseguiu isso através da Federação Ucraniana de Futebol para poder fazer toda essa logística. Conseguimos pegar um trem. E em um trajeto de 8 horas até a estação final, a gente fez em 16 horas, porque o número de ataques era tão grande que o trem tinha que ir parando, esperando cair os mísseis e as bombas para a gente poder continuar. Então, a gente conseguiu passar pela Moldávia.’


