Um muro de 13,4 metros de altura, construído há 25 anos em Passos, Minas Gerais, viralizou nas redes sociais após bloquear a visão de um prédio vizinho. A estrutura foi erguida para garantir a privacidade da área de lazer da casa e gerou discussões sobre direito de propriedade e convivência urbana.
A construção, feita com tijolos cerâmicos vazados, impede a visão das sacadas e janelas de um prédio residencial que foi erguido em frente à área de lazer da residência, que conta com quintal e piscina.
Antes de optar pela construção do muro, o proprietário da casa tentou resolver a situação de forma amigável. De acordo com Ivan Vasconcelos, arquiteto responsável pela obra, foram feitas três propostas ao construtor do prédio. A primeira foi trocar o terreno onde o edifício foi construído por outro, mais valioso, no centro da cidade. A segunda proposta envolveu a instalação de painéis do tipo “brise” nas janelas do prédio, com todos os custos pagos pelo dono da casa. Por fim, ele se ofereceu para comprar os apartamentos cujas janelas davam para seu terreno. Nenhuma das tentativas de acordo foi aceita.
Sobre a legalidade da construção, Ivan Vasconcelos afirmou que o muro foi erguido na divisa entre os terrenos, o que o torna legal segundo as normas urbanísticas. Ele destacou que a legislação não garante o direito à vista, e que construções com aberturas devem respeitar um afastamento mínimo da divisa, geralmente de 1,5 metro.
Embora o muro tenha sido construído há 25 anos, o caso ganhou notoriedade nacional após uma publicação no X (antigo Twitter) no dia 16 de abril, que alcançou quase 4 milhões de visualizações.
A repercussão foi intensa, com a maioria dos internautas apoiando a atitude do proprietário da casa. Entre os comentários, muitos afirmaram: “Errado não tá” e “Faria o mesmo”. A rua onde o muro está localizado se tornou um ponto de visitação para curiosos. Entre os moradores do prédio, as opiniões estão divididas. A maioria dos vizinhos, que preferiram não se identificar, afirmou não se incomodar com a estrutura, e alguns até preferem o muro por garantir mais privacidade. No entanto, há relatos de que a obra causa transtornos, tornando os apartamentos mais escuros, e que o muro desvaloriza os imóveis, que já foram anunciados por até R$ 1,3 milhão.


