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Leitura: PF investiga movimentação de R$ 30 milhões em restaurante de MC Ryan SP
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Justiça

PF investiga movimentação de R$ 30 milhões em restaurante de MC Ryan SP

Amanda Rocha
Última atualização: 20 de abril de 2026 02:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A Polícia Federal (PF) identificou uma movimentação financeira superior a R$ 30 milhões em um restaurante ligado ao cantor MC Ryan SP. A investigação aponta indícios do uso de um familiar como possível ‘laranja’ na administração do Bololô Restaurant Bar.

De acordo com um relatório de inteligência financeira, o montante registrado entre abril de 2024 e outubro de 2025 é incompatível com o porte e a atividade econômica do restaurante. A PF sustenta que o local funcionaria como um veículo de integração e possível posto de arrecadação para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação revela que MC Ryan SP utilizou uma manobra de blindagem patrimonial para afastar seu nome de negócios sob suspeita. Após ser alvo de buscas e apreensões da Polícia Civil, o artista saiu formalmente da sociedade do restaurante, sendo substituído por sua avó materna.

Para a PF, essa substituição foi uma tentativa de ocultar o beneficiário final e desvincular a imagem do artista de transações suspeitas, mantendo o controle financeiro dentro do núcleo familiar. A avó, que declara uma renda de R$ 25 mil, teve movimentações milionárias em sua conta pessoal, funcionando como um entreposto de liquidez para o esquema.

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O monitoramento bancário identificou que o restaurante recebeu recursos de 152 contrapartes com histórico criminal ligado ao tráfico de drogas e organizações criminosas. Foram detectados pagamentos atípicos, entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, considerados incompatíveis com o consumo de refeições.

A hipótese dos investigadores é que o restaurante servia para o recolhimento da ‘cebola’, mensalidade paga por membros de facções criminosas à organização. O dinheiro sujo seria misturado ao faturamento legítimo do comércio para conferir aparência de legalidade aos recursos.

A operação, deflagrada na quarta-feira (15), investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas estimado em R$ 1,6 bilhão. MC Ryan SP foi um dos 33 presos na operação, detido em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, e teve a prisão mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada na quinta (16).

Em nota, o advogado de MC Ryan SP, Felipe Cassimiro, informou que o Bololô Restaurant não pertence ao artista, sendo um presente para sua avó. Quanto às movimentações, o Bololô é visto como um dos principais restaurantes de São Paulo, altamente frequentado por famosos.

A PF revelou que o esquema de lavagem de dinheiro utilizava uma estrutura complexa com empresas, influenciadores digitais e operações financeiras sofisticadas. No total, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em diversos estados.

O delegado Marcelo Maceira explicou que o dinheiro usado no esquema teria origem em apostas ilegais, rifas digitais clandestinas e tráfico internacional de drogas. O esquema começava com a captação de valores por meio de plataformas de apostas não regulamentadas e rifas ilegais, que arrecadavam dinheiro de milhares de pessoas.

Após a arrecadação, o dinheiro passava por uma rede estruturada de operadores financeiros, empresas e intermediários responsáveis por centralizar e redistribuir os valores. O grupo utilizava técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como o fracionamento de transferências e o uso de criptomoedas.

Os influenciadores e artistas investigados acumularam patrimônios milionários por meio da compra de imóveis, veículos de luxo e outros bens de alto valor. As investigações continuam, e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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