Luís Fernando Sanchez, conhecido como Gari Gato, viralizou nas redes sociais ao transformar a coleta de lixo em um espetáculo dançante em Araras, São Paulo. Fantasiado de personagens como Batman, Barbie e Homem-Aranha, ele atrai milhões de visualizações com suas dancinhas e música alta durante o trabalho.
Antes mesmo de o caminhão sair da garagem, Luís Fernando prepara uma caixa de som adaptada ao veículo, que garante música durante todo o trajeto. “O caminhão é apropriado para som automotiva. Aguenta tocar por dois dias mais ou menos”, explica ele.
A ideia de dançar durante a coleta começou como uma brincadeira. “Comecei a fazer uns vídeos brincando. Fiz Chapolin no começo, depois Batman. Vi que deu certo”, relembra.
O apelido Gari Gato surgiu dos seguidores, que comentavam: “ó, gari gato”. Atualmente, ele conta com mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais. Um dos vídeos, em que aparece como Barbie, ultrapassou 60 milhões de visualizações e acumulou cerca de 4 milhões de curtidas.
A popularidade de Luís Fernando transcende gerações. Comerciantes e até pessoas mais velhas, como Dona Neuza, de 74 anos, se divertem com suas danças. “Ele cai, levanta, vira pirueta. Eu me divirto”, diz ela.
A fama também trouxe retorno financeiro. Luís Fernando afirma que é possível ganhar mais com as redes sociais do que apenas com o trabalho de coleta. Ele ainda faz bicos instalando e consertando equipamentos de som até altas horas da noite, conciliando essa rotina pesada com a vida on-line.
O expediente de coleta começa às 7h da manhã e pode se estender até as 15h. Mesmo cansado, ele ainda encontra energia para ir à academia, mantendo o preparo físico. “Tem que ser atleta!”, brinca.
Em casa, o reconhecimento vem das filhas, Lorena e Lívia, que acompanham orgulhosas os vídeos do pai. “Para mim, é o maior presente que eu tenho na vida”, afirma Luís Fernando. Ele tenta manter os pés no chão, recebendo até 100 mensagens por dia e bloqueando comentários negativos. “Mudou demais a percepção das pessoas sobre o trabalho do coletor. Antes era xingamento, hoje é elogio”, conclui.


