Os assessores de Donald Trump tentam controlar seu temperamento explosivo em meio a tensões no Oriente Médio. Recentemente, alas diferentes do regime iraniano se envolveram em disputas públicas sobre o desbloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto Benjamin Netanyahu enfrenta desgaste interno após receber uma ordem direta de Trump para interromper os bombardeios no Líbano.
Segundo reportagem do Wall Street Journal, assessores de Trump mantiveram-no fora da sala de comando durante as buscas por um tripulante desaparecido de um F-15 derrubado no Irã. A operação de resgate foi bem-sucedida, mas Trump estava tão impaciente que poderia ter atrapalhado a missão. A possibilidade de o Irã capturar um piloto americano como refém deixou Trump em estado de nervos, levando-o a gritar por horas.
Nem todos os assessores concordam com as ameaças excessivas de Trump, que ele utiliza como método de negociação. A declaração de que uma civilização inteira poderia ser apagada gerou rejeição universal, incluindo entre seus aliados. O Journal descreveu esses pronunciamentos como “arriscados e feitos sem a participação da equipe de segurança nacional”.
Os avanços anunciados por Trump sobre um acordo com o Irã também refletem seu método maximalista, que nem sempre corresponde à realidade. A incerteza paira sobre a possibilidade de negociações no Paquistão e sobre o futuro do cessar-fogo e do reabastecimento do Estreito de Ormuz.
No Irã, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, foi criticado pela mídia oficial após anunciar a reabertura do estreito. A Mehr News afirmou que seu post deu a Trump um pretexto para se declarar vencedor da guerra. Um comentarista da mídia iraniana afirmou que a reabertura do estreito depende do líder Khamenei, e não de um “idiota”.
Entre os israelenses, a reação ao post de Trump foi de choque. Ele afirmou, em letras maiúsculas, que Israel estava proibido de continuar os bombardeios no Líbano, uma ordem sem precedentes na história das relações entre os EUA e Israel. Fontes israelenses relataram que Netanyahu se sentiu humilhado com a situação.
Trump pode estar tentando reequilibrar a narrativa de que a intervenção no Irã favorece Israel em detrimento dos interesses americanos. Apesar de suas promessas de bombardear o Irã, ele parece buscar um acordo. Seus instintos, embora instáveis, indicam uma preferência por soluções negociadas para os conflitos no Oriente Médio, incluindo a situação em Gaza. No entanto, desafios como a recusa do Hamas e do Hezbollah em depor armas e a resistência do Irã em aceitar limitações ao enriquecimento de urânio permanecem como obstáculos significativos.


