O Irã sinalizou a possibilidade de novas negociações com os Estados Unidos, condicionando sua participação ao fim do bloqueio naval americano contra portos e navios iranianos. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026.
Uma autoridade iraniana de alto escalão, que conversou com a Reuters em condição de anonimato, afirmou que Teerã estava “analisando positivamente” sua participação após o Paquistão, que atua como mediador, abrir esforços “positivos” para encerrar o cerco da Marinha americana, que abrange o Mar Arábico e o Golfo de Omã, onde deságua o Estreito de Ormuz. No entanto, a fonte destacou que nenhuma decisão foi tomada até o momento.
Esse aceno do Irã representa uma mudança de tom em relação às declarações anteriores, nas quais o país havia descartado completamente sua participação nas tratativas que, segundo o presidente americano, Donald Trump, ocorreriam entre esta segunda e terça-feira, 21 de abril.
O Irã também prometeu retaliar contra a “flagrante agressão” dos Estados Unidos após a interceptação de um navio iraniano no domingo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, acusou Washington de “não estar falando sério” sobre a continuidade do processo diplomático e de insistir “em posições irracionais e irrealistas”.
Asim Munir, principal negociador do Paquistão, já havia informado a Trump que o bloqueio naval americano era um obstáculo relevante. Apesar da República Islâmica ter declarado o Estreito de Ormuz aberto na sexta-feira passada, após o início de um cessar-fogo no Líbano, Trump não levantou o cerco.
A tensão aumentou com a apreensão do navio cargueiro iraniano M/V Touska, que tentou furar o bloqueio imposto há uma semana. O incidente ocorreu horas antes do término do frágil cessar-fogo, que expira às 21h de Brasília de terça-feira, 21.
Questionado sobre a possibilidade de uma prorrogação do cessar-fogo, Trump respondeu: “Não sei. Talvez não. Talvez eu não o prorrogue. Mas o bloqueio vai permanecer.” O presidente americano também ameaçou destruir “todas as usinas nucleares” e “todas as pontes” iranianas caso os aiatolás não aceitem os termos de paz propostos por Washington.
Apesar da incerteza, o Paquistão, atuando como mediador, parece estar se preparando para as tratativas entre Estados Unidos e Irã. Dois aviões de carga C-17 americanos pousaram em uma base aérea paquistanesa no domingo, transportando equipamentos de segurança e veículos para a chegada da delegação americana. Arame farpado foi instalado perto do Hotel Serena, onde as negociações da semana passada foram realizadas, e o hotel pediu a todos os hóspedes que deixassem o local.


