A gripe K, um subclado do vírus Influenza A (H3N2), começou a circular no Brasil em novembro de 2025, após ser importada das Ilhas Fiji por uma paciente no Pará. A antecipação da circulação dessa variante, que normalmente atinge seu pico entre maio e junho, foi influenciada pela atividade do vírus em regiões frias do mundo.
O médico imunologista Márcio Niemeyer explicou que a gripe K não representa uma nova doença, mas sim uma variação genética de um patógeno já conhecido. Ele destacou que a alta transmissibilidade da variante é a razão para o aumento de casos, e não uma maior gravidade da doença.
“Essa variante, o pessoal tá falando que ela é mais grave, mas não é. Ela é mais transmissível”, afirmou Niemeyer. O aumento de casos graves é resultado do maior número de infecções, o que pressiona o sistema de saúde.
O especialista também ressaltou a importância da vacinação, que deve ser feita de forma antecipada. Apesar de a vacina deste ano ter eficácia reduzida contra a variante K devido ao escape viral, ela continua sendo a principal forma de proteção contra a gravidade dos sintomas e hospitalizações.
“Estamos com uma cobertura vacinal muito pequena”, alertou Niemeyer, enfatizando a necessidade de aumentar a adesão à campanha de vacinação. Além da vacina, o antiviral Oseltamivir (Tamiflu) pode ser utilizado para tratar a Influenza A e B, reduzindo a gravidade e a transmissibilidade do vírus.
A gripe K apresenta sintomas atípicos, como manifestações gastrointestinais, que podem confundir o diagnóstico. Niemeyer recomenda a realização de testes rápidos sempre que houver suspeita de gripe, para evitar complicações maiores.
Ele também fez uma distinção importante: “não existe ‘gripezinha’. A gripe é causada pelo vírus da influenza”, alertou. A janela de transmissão da gripe K se estende de um dia antes até sete dias após o início dos sintomas, reforçando a necessidade de isolamento e higiene respiratória.


