O governo dos Estados Unidos ordenou nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, que um delegado brasileiro deixasse o território americano. O delegado está envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos publicou em suas redes sociais que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA”.
“No foreigner gets to game our immigration system to both circumvent formal extradition requests and extend political witch hunts into U.S. territory. Today, we have asked that the relevant Brazilian official depart our nation for attempting to do that.”
A medida foi direcionada a Marcelo Ivo de Carvalho, delegado da Polícia Federal, que teria atuado junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA, o ICE, na prisão de Ramagem, ocorrida em 13 de abril de 2026, por questões migratórias. Ramagem foi liberado dois dias depois.
No ano anterior, Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina, dias antes de ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele teria cruzado a fronteira de Roraima com a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos.
Após sua liberação, Ramagem agradeceu ao governo de Donald Trump e afirmou que sua situação estava regularizada. Ele declarou: “Não houve nem pagamento de fiança, que é comum nesses casos migratórios”, ressaltando que sua liberação foi administrativa.
“Eu entrei nos Estados Unidos, em setembro do ano passado, de forma perfeitamente regular, passaporte válido, visto válido, sem condenação nenhuma. Em seguida entramos com o pedido de asilo […] Nós cumprimos os requisitos, estamos dentro de todos os procedimentos e fases, o que nos confere o status de permanência regular nos Estados Unidos.”
O caso gerou movimentação nas campanhas eleitorais do presidente Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro, que apresentaram versões diferentes sobre a detenção de Ramagem nos EUA. Enquanto Lula defendeu a extradição de Ramagem para o Brasil, Flávio afirmou que a prisão seria rapidamente revertida e que um pedido de asilo político estava em tramitação nos EUA.


