A empresa americana USA Rare Earth firmou um acordo para adquirir participação na mineradora Serra Verde, responsável por uma mina de terras raras em Minaçu, Goiás, em uma transação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões.
O negócio prevê a combinação das operações das duas companhias para criar uma cadeia completa de produção — da extração à fabricação de ímãs — fora da Ásia, que atualmente domina esse mercado. A Serra Verde é considerada estratégica por produzir terras raras pesadas em larga escala fora do continente asiático.
Esses minerais são essenciais para a fabricação de tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
Com a operação, as duas empresas atuarão de forma integrada em diferentes etapas da cadeia produtiva. A nova estrutura deve reunir atividades de mineração, processamento, separação e fabricação de materiais em países como Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido.
A expectativa é que a combinação fortaleça a posição das empresas no mercado global e reduza a dependência de países asiáticos na produção desses insumos estratégicos. A operação também amplia o acesso a tecnologia e investimentos para a expansão da mina em Goiás.
Além da aquisição, o acordo inclui um contrato de fornecimento de 15 anos. Pelo termo, 100% da produção inicial da mina será destinada a uma empresa criada com apoio de agências do governo dos Estados Unidos e capital privado.
O contrato estabelece preços mínimos para os minerais, garantindo previsibilidade de receita e reduzindo riscos para a operação. Isso permite planejar a expansão da produção e sustentar novos investimentos ao longo dos próximos anos.
A mina da Serra Verde em Minaçu iniciou produção comercial em 2024. A expectativa é que a unidade atinja cerca de 6,4 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até o fim de 2027, com possibilidade de expansão nos anos seguintes.
De acordo com a empresa, a operação deve gerar empregos, aumentar a arrecadação e impulsionar o desenvolvimento econômico da região. A mineradora afirma ainda que mantém operações com baixo impacto ambiental e uso de energia renovável.
Apesar do nome, as terras raras não são necessariamente escassas, mas exigem processos complexos de extração e separação. Elas são fundamentais para a produção de ímãs de alta performance, usados em tecnologias estratégicas, como carros elétricos, turbinas eólicas, robôs e equipamentos eletrônicos.
Hoje, a maior parte da produção global está concentrada na Ásia, especialmente na China, o que torna projetos fora desse eixo importantes geopolítica e economicamente.

