Um estudo recente publicado na revista Nature Communications analisou 232 genomas completos de elefantes africanos coletados em 17 países. A pesquisa revela que a expansão humana e a fragmentação de habitats estão enfraquecendo a saúde genética da espécie.
Historicamente, os elefantes africanos cruzaram livremente o continente, misturando genes entre populações. No entanto, esse movimento está diminuindo, resultando em sinais de isolamento genético. “Nosso estudo mostra que, até recentemente, os elefantes estavam conectados por vastas distâncias. Essa liberdade de movimento criou robustez genética porque as populações se misturavam. Hoje, o quadro é diferente”, afirmou Patrícia Pečnerová, professora assistente da Universidade de Copenhague e pesquisadora-líder do estudo.
As áreas mais afetadas estão nas bordas do continente, como na Eritreia e na Etiópia, onde populações pequenas e remotas estão cercadas por assentamentos humanos. Nesses grupos, foram encontrados altos índices de cruzamentos entre parentes, baixa variação genética e acúmulo de mutações, aumentando a vulnerabilidade dos animais a doenças e mudanças ambientais.
“”A consanguinidade é uma preocupação séria porque variantes genéticas deletérias recessivas serão expressas com mais frequência em uma população consanguínea”, disse Alfred Roca, professor da Universidade de Illinois e coautor do estudo.”
Na África Ocidental, apesar da caça ao marfim e do isolamento, elefantes savana do centro-oeste africano apresentam níveis altos de variação genética, devido à hibridização com elefantes-da-floresta, uma espécie distinta.
O estudo também destaca que na região de Kavango-Zambezi, onde os elefantes ainda se movem livremente, a diversidade genética é mantida. “Em áreas onde as populações de elefantes permanecem relativamente bem conectadas, a diversidade genética é preservada”, acrescentou Pečnerová.
Além disso, o estudo esclarece que elefantes savana e elefantes floresta são duas espécies distintas, com separação evolutiva há cerca de 4 milhões de anos. Isso representa mais de 85% da variação genética encontrada.
Os pesquisadores ressaltam a importância de conservar as áreas que conectam as populações de elefantes, mesmo em um cenário de forte declínio, já que os elefantes-da-floresta ainda mantêm alta diversidade genética, o que pode ser uma oportunidade para ações de conservação.


