O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pode adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em relação ao caso do delegado brasileiro envolvido na prisão de Alexandre Ramagem. A declaração foi feita na porta de um hotel em Hannover, onde Lula conversou com a imprensa.
“Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, disse Lula. Ele também ressaltou que não aceitará “essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil”.
O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também se manifestou sobre o assunto. “Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas”, afirmou o ministro.
No dia 20 de abril, o governo dos Estados Unidos ordenou que o delegado brasileiro, Marcelo Ivo de Carvalho, deixasse o país. A decisão foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano. Em uma rede social, o governo dos EUA afirmou que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” no país.
O comunicado do governo americano destacou: “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”.
A TV Globo confirmou com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil que a autoridade citada é o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas norte-americano (ICE). Carvalho foi nomeado para atuar em Miami em março de 2023, em uma missão com duração de dois anos.
Entre suas funções, estava a identificação e a prisão de foragidos da Justiça brasileira nos EUA. Em março de 2025, o governo brasileiro publicou uma portaria que prorrogou a permanência dele na missão até agosto deste ano. O Itamaraty informou que não se manifestará sobre o assunto, e a Polícia Federal não foi comunicada formalmente sobre a medida do governo norte-americano.


