Fontes do governo americano expressaram incertezas sobre as negociações com o Irã, destacando a possibilidade de que a ala mais radical, ligada aos Guardas da Revolução Islâmica, sabote um acordo de paz. A situação se agravou na semana passada, quando o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, anunciou que o Estreito de Ormuz seria aberto, mas foi desmentido em poucas horas.
Os especialistas interpretaram essa reviravolta como um reflexo de disputas internas entre diferentes correntes políticas no Irã. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e outros membros da ala política apoiam o acordo, apesar da retórica agressiva. Ghalibaf, que se posicionou a favor das negociações, foi acusado de “traição” por sua postura.
O general Ahmad Vahidi, comandante dos Guardas da Revolução, se opõe ao acordo e exerce forte influência devido ao seu poder militar. Uma fonte bem informada comentou que as negociações não estão sendo conduzidas com as pessoas certas, já que os Guardas da Revolução afirmaram que não reconhecem a autoridade dos negociadores.
A falta de uma liderança clara no Irã, especialmente após os ataques que ceifaram importantes lideranças, como o líder supremo Ali Khamenei, complicam ainda mais o cenário. O filho de Khamenei, que seria seu substituto, está gravemente ferido, deixando um vácuo de poder.
As novas rodadas de negociações no Paquistão estão em suspense, e a pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra impopular é crescente. Trump, no entanto, afirmou que não está “minimamente pressionado”.
Os Estados Unidos mantêm a capacidade militar para pressionar o Irã, mas a questão política é crucial. Trump precisa de um acordo que pareça favorável, já que a mídia americana frequentemente retrata o Irã como estando em vantagem, o que não reflete a realidade.
As negociações apresentam riscos significativos para todas as partes envolvidas, sem considerar o descontentamento da população iraniana, que protestou contra o regime e agora enfrenta forças superiores, além da possibilidade de um entendimento entre o governo americano e os opressores que massacram essa população.


