A Anistia Internacional, a maior ONG global de direitos humanos, publicou nesta terça-feira, 21, seu relatório anual, no qual convoca o mundo a resistir ao surgimento de uma nova ordem mundial caracterizada pela atuação de líderes considerados ‘predadores’. A organização menciona governos como os dos Estados Unidos, Israel e Rússia, afirmando que essas lideranças estão enfraquecendo normas internacionais estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial.
Durante a apresentação do documento em Londres, a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, declarou que o mundo enfrenta ‘o momento mais desafiador da nossa época’, sob ataques de movimentos transnacionais anti-direitos e governos predatórios. Callamard citou nominalmente Donald Trump, Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu, acusando-os de adotar estratégias que ampliam a violência e a repressão globalmente.
O relatório critica Israel por manter seu ‘genocídio’ contra palestinos na Faixa de Gaza, mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025, sem resposta significativa da comunidade internacional. A Anistia também condena ações dos Estados Unidos, incluindo ataques fora de seu território e atos ilegais contra Venezuela e Irã. O regime iraniano é acusado de ‘massacrar manifestantes em janeiro de 2026’, em uma repressão considerada a mais mortal em décadas.
Callamard afirmou que ‘os predadores políticos e econômicos estão declarando o sistema multilateral morto’, não por ineficiência, mas porque não serve à sua hegemonia. O relatório destaca um aumento da repressão a protestos e ataques a jornalistas na América, mencionando o uso de ‘força excessiva e injustificável’ em países como Brasil, Estados Unidos, Honduras e Peru, resultando em violações dos direitos humanos.
A Anistia Internacional reportou que 1.143 pessoas foram mortas pela polícia nos Estados Unidos em 2025, com um impacto desproporcional sobre a população negra, além de execuções extrajudiciais em operações antidrogas. A organização também observou que as instituições internacionais enfrentam ataques não vistos desde 1948, citando mandados de prisão emitidos pela Rússia contra integrantes do Tribunal Penal Internacional (TPI) e a retirada dos Estados Unidos de acordos multilaterais.
A Anistia criticou a ‘covardia’ de líderes internacionais diante dessas violações, especialmente na Europa, mas mencionou exceções como Espanha e Eslovênia, que classificaram a ofensiva israelense em Gaza como ‘genocídio’. Callamard denunciou que ‘os líderes mundiais têm sido muito submissos’ e que seu silêncio é ‘indesculpável’.
A entidade defende que governos e sociedade civil rejeitem políticas de apaziguamento e atuem coletivamente para conter o avanço de um modelo global que ameaça os direitos humanos e a estabilidade internacional.


