A Amazon e a Anthropic firmaram um acordo que pode ultrapassar US$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura de inteligência artificial ao longo da próxima década.
A startup, responsável pelo modelo Claude, comprometeu-se a gastar esse montante em chips e capacidade computacional da Amazon Web Services. A Amazon aportará até US$ 25 bilhões na empresa, sendo US$ 5 bilhões imediatos e o restante condicionado a metas comerciais.
Esse acordo ilustra uma transformação estrutural no setor, onde a disputa em inteligência artificial deixou de ser apenas sobre software e algoritmos e passou a ser, sobretudo, sobre acesso a infraestrutura.
O crescimento acelerado da Anthropic expôs um problema comum a todo o setor: a falta de capacidade computacional. A empresa enfrentou instabilidades e interrupções em seus sistemas ao longo de 2026, reflexo da alta demanda por seus modelos.
Para resolver esse gargalo, a Anthropic garantiu acesso a até 5 gigawatts de capacidade energética, nível comparável ao consumo de grandes centros urbanos, para treinar e operar seus sistemas de IA. Rivais como a OpenAI também têm buscado contratos de longo prazo para assegurar acesso a chips e data centers.
O acordo entre Amazon e Anthropic segue um padrão cada vez mais comum na indústria: investimentos circulares. A big tech injeta capital na startup, que por sua vez se compromete a gastar bilhões na infraestrutura da própria investidora.
Grande parte dos US$ 100 bilhões previstos no acordo será destinada à compra de semicondutores e à operação de data centers. Estimativas do setor indicam que até dois terços desses investimentos vão para chips, atualmente dominados pela Nvidia.
A Anthropic registrou crescimento acelerado, com receita anualizada saltando de cerca de US$ 9 bilhões para mais de US$ 30 bilhões em menos de um ano, impulsionado pela adoção de ferramentas como o Claude Code.
No entanto, o ritmo de expansão gerou pressão sobre a infraestrutura, afetando a confiabilidade dos serviços em momentos de pico. A própria empresa reconheceu que a escala atual de uso tornou “inevitáveis” problemas de desempenho.
A corrida por infraestrutura também está ligada ao desenvolvimento de modelos mais avançados, como o Mythos, novo sistema da Anthropic que vem sendo testado com um grupo restrito de parceiros.
O acordo reforça uma tendência de concentração no setor de inteligência artificial, onde poucas empresas globais concentram os recursos necessários para sustentar essa corrida.
Ao garantir contratos de longo prazo para chips e capacidade computacional, empresas como Anthropic e OpenAI estão antecipando um cenário de escassez, onde o controle desses recursos pode definir os vencedores da próxima fase da inteligência artificial.


