O governo do Japão aprovou nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, uma revisão significativa de suas normas de exportação do setor de defesa, permitindo a venda de armamentos letais ao exterior, como caças, mísseis e navios de guerra.
A decisão marca uma das maiores mudanças na política de segurança pacifista do país desde o pós-guerra, após 50 anos de veto. Anteriormente, Tóquio restringia suas exportações a cinco categorias: equipamentos de resgate, transporte, vigilância, alerta e varredura de minas.
Com as novas diretrizes, a comercialização de praticamente qualquer tipo de equipamento militar será permitida, desde que haja aprovação do governo, respeito a regras como a proibição de reexportação não autorizada e compromisso dos compradores com a Carta das Nações Unidas.
““Hoje, nenhum país consegue proteger sozinho sua própria paz e segurança. Por isso, são necessários parceiros que se apoiem mutuamente também em termos de equipamentos de defesa”, afirmou a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.”
A iniciativa visa impulsionar a indústria nacional de defesa e integrar o Japão às cadeias globais de suprimentos militares, além de dissuadir ameaças da China.
A China expressou preocupação com a medida, classificando-a como uma militarização “imprudente” de Tóquio. O porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Guo Jiakun, afirmou: “A comunidade internacional, incluindo a China, permanecerá altamente vigilante e resistirá firmemente à nova militarização imprudente do Japão”.
Nos últimos anos, o Japão tem aumentado seus investimentos militares, com gastos próximos a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e previsão de novos aumentos sob o atual governo.
Enquanto apoiadores consideram a medida essencial para reforçar a segurança nacional, críticos alertam que ela pode enfraquecer o compromisso pacifista do país, o que Takaichi nega.
““Não há absolutamente nenhuma mudança no nosso compromisso com o caminho e os princípios fundamentais que seguimos como uma nação amante da paz por mais de 80 anos desde a guerra”, declarou a primeira-ministra japonesa.”


