Pela primeira vez na história moderna, as energias renováveis superaram o carvão como a principal fonte de eletricidade no mundo. O dado foi divulgado pelo centro de pesquisas Ember e indica uma mudança estrutural no sistema energético global, sugerindo que o uso de combustíveis fósseis pode estar em declínio.
O crescimento acelerado de fontes como solar e eólica atendeu praticamente toda a expansão da demanda por eletricidade em 2025, ao mesmo tempo que reduziu, ainda que levemente, a geração a partir de carvão, petróleo e gás.
A energia solar foi o principal motor dessa mudança, registrando um crescimento recorde em 2025. A geração aumentou em 636 terawatts-hora (TWh), o maior avanço anual já observado para qualquer fonte de eletricidade, exceto em oscilações pontuais após crises.
Esse salto foi tão expressivo que superou, sozinho, o potencial energético de todo o gás natural liquefeito (GNL) transportado por rotas estratégicas globais no período. A energia solar respondeu por cerca de 75% do aumento da demanda mundial de eletricidade no ano. A energia eólica também teve uma expansão relevante, consolidando-se como a segunda principal fonte de crescimento.
Nos últimos quatro anos, solar e vento dominaram a expansão da matriz elétrica global. A geração a partir de combustíveis fósseis caiu 0,2% em 2025, marcando a primeira vez que a redução é atribuída a mudanças estruturais, e não a choques econômicos.
O carvão, que por décadas liderou a matriz global, respondeu por menos de um terço da eletricidade mundial pela primeira vez, embora ainda permaneça como a maior fonte individual, especialmente devido ao peso das economias asiáticas.
Dados da Agência Internacional de Energia corroboram a tendência de que a expansão das renováveis vem superando consistentemente o crescimento da demanda, reduzindo a intensidade de carbono do setor elétrico.
Na China e na Índia, países historicamente dependentes do carvão, houve queda na geração fóssil em 2025, impulsionada pela rápida expansão de energia limpa. Essa mudança é significativa, pois esses países concentram cerca de 40% da geração global baseada em combustíveis fósseis.
Outro dado central do relatório é o início de um desacoplamento entre crescimento econômico e emissões no setor elétrico. Apesar de a demanda global por eletricidade ter crescido 2,8% em 2025, as emissões associadas caíram, com a intensidade de carbono da eletricidade recuando quase 3% no ano.
A eletrificação de setores como transporte também está acelerando essa transformação. Veículos elétricos já representam mais de um quarto das vendas globais de automóveis, reduzindo a demanda por petróleo. O avanço no armazenamento de energia, com a queda no custo de baterias, permite ampliar o uso de fontes intermitentes como solar e eólica.
Analistas avaliam que, se mantido o ritmo atual, a geração de energia a partir de combustíveis fósseis deve atingir um platô ainda nesta década e entrar em queda consistente a partir dos anos 2030. A virada registrada em 2025 é considerada um marco, sinalizando que a matriz elétrica global começa a ser redesenhada, agora puxada por tecnologias limpas e competitivas.


