Autoridades ucranianas sugeriram, durante as negociações de paz, renomear parte do Donbass como ‘Donnyland’, em referência a Donald Trump. A proposta, inicialmente considerada uma brincadeira, visa aproximar o republicano da posição de Kiev, conforme reportagem do New York Times.
A ideia reflete uma tendência na diplomacia recente, onde governos têm utilizado gestos simbólicos ligados ao nome de Trump para conquistar apoio político e militar de Washington. Em 2018, a Polônia sugeriu batizar uma base militar americana de ‘Fort Trump’. Um acordo entre Armênia e Azerbaijão foi apresentado como ‘Trump Route for International Peace and Prosperity’.
O termo ‘Donnyland’ surgiu em discussões sobre o futuro de uma faixa de território no leste da Ucrânia, sob controle de Kiev, mas alvo da ofensiva russa desde 2014. A região, devastada pela guerra, é um dos principais impasses nas tratativas de paz. Embora a proposta nunca tenha sido formalizada, ela continua a circular entre negociadores como uma forma de tornar um eventual acordo mais aceitável para a Casa Branca.
Um negociador ucraniano chegou a criar uma bandeira nas cores verde e dourado e um hino para a ‘Donnyland’, com auxílio de inteligência artificial. A área em questão, com cerca de 80 quilômetros de extensão, permanece parcialmente habitada, com autoridades ucranianas estimando que aproximadamente 190 mil pessoas ainda vivam no local.
O presidente russo, Vladimir Putin, mantém a posição de que suas forças devem avançar até limites administrativos estratégicos da região, e Moscou já deixou claro que aceita apenas um acordo que garanta controle total do Donbass. Propostas intermediárias, como zonas neutras ou modelos de administração compartilhada, não foram aceitas pelo Kremlin até o momento.
Do lado ucraniano, Volodymyr Zelensky sinalizou abertura para soluções intermediárias, como a criação de uma zona desmilitarizada ou uma área econômica especial, sem controle pleno de nenhum dos lados. Entre as alternativas discutidas estão modelos de administração conjunta ou neutra, embora Kiev rejeite qualquer proposta que envolva presença de forças russas no território.
As conversas avançaram discretamente nas últimas semanas, mas perderam fôlego diante de novos focos de tensão internacional, como o conflito envolvendo o Irã. Trump comentou recentemente: ‘A Ucrânia está avançando. Eu gostaria que eles se entendessem. Vamos ver o que acontece’. Durante a campanha, o republicano prometeu encerrar a guerra em 24 horas, mas seus emissários conduzem negociações há meses, em meio a críticas de autoridades ucranianas.
Além de ‘Donnyland’, negociadores ucranianos também discutiram o chamado ‘modelo Mônaco’, que transformaria a área em uma zona econômica autônoma, inspirada no principado europeu. Nenhuma das propostas, no entanto, avançou, mantendo o impasse como um dos principais entraves para um acordo de paz.


