Os Estados Unidos estão considerando oferecer linhas de swap cambial a países aliados afetados pela guerra com o Irã. A informação foi confirmada pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que revelou que nações do Golfo e da Ásia solicitaram acesso emergencial a dólares.
As linhas de swap são mecanismos que permitem que bancos centrais troquem suas moedas por dólares diretamente com o Federal Reserve ou o Tesouro dos EUA. Esses mecanismos funcionam como uma espécie de ‘linha de crédito’ internacional, ajudando a evitar a falta de liquidez em momentos de crise.
A demanda por esse suporte ocorre em meio à valorização do dólar, que tem sido impulsionada pela instabilidade geopolítica. Desde o início do conflito, a moeda americana se fortaleceu, pressionando economias que mantêm suas moedas atreladas ao dólar, como os países do Golfo.
Para sustentar essas paridades, bancos centrais locais precisam intervir no mercado, muitas vezes vendendo títulos do Tesouro americano. Esse movimento pode gerar um efeito dominó, impactando diretamente os mercados globais.
Segundo Bessent, o objetivo das linhas de swap é ‘manter a ordem nos mercados de financiamento em dólar e evitar vendas desorganizadas de ativos americanos’. Apesar de serem grandes exportadores de petróleo e acumularem trilhões de dólares em reservas, países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar não estão imunes ao impacto da guerra.
O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, tem reduzido a capacidade de exportação da região, afetando receitas e aumentando a pressão fiscal. Dados de instituições como o Fundo Monetário Internacional indicam que algumas economias do Golfo podem enfrentar contração neste ano, enquanto outras devem desacelerar.
Historicamente, as linhas de swap foram utilizadas em momentos de crise sistêmica, como na pandemia de Covid-19 ou na crise financeira de 2008. Agora, elas voltam ao centro do debate como instrumento estratégico de política externa. O governo de Donald Trump já havia demonstrado disposição de usar esse mecanismo para apoiar aliados, como no caso da Argentina, que recebeu uma linha de US$ 20 bilhões em 2025.
No contexto atual, o uso desse instrumento também possui um componente político: reforçar alianças em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Analistas alertam que, se a guerra se prolongar, a pressão sobre o dólar pode aumentar ainda mais, elevando os custos de financiamento globalmente.
Isso tende a afetar desde mercados emergentes até economias desenvolvidas. Além disso, uma eventual venda massiva de ativos americanos por países que precisam de liquidez pode gerar volatilidade adicional, um cenário que as linhas de swap tentam evitar. O episódio revela uma dependência estrutural do sistema financeiro global em relação ao dólar e como choques geopolíticos podem abalar esse equilíbrio.


