O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderá realizar uma cirurgia no ombro, conforme pedido de sua defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF). O procedimento está relacionado ao manguito rotador e lesões associadas, que foram afetados por uma queda ocorrida em janeiro, quando Bolsonaro estava na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A cirurgia pode ser realizada já nesta sexta-feira (24) ou no sábado (25). O ortopedista Dr. Kaleu Nery, especialista em cirurgias de ombro da clínica Orion, avaliou que o procedimento requer atenção especial, principalmente no pós-operatório. Para o médico, a idade do ex-presidente é um fator que complica o caso.
““Quando falamos de uma cirurgia de manguito rotador em um paciente de 71 anos, como é o caso do ex-presidente Bolsonaro, a idade é, sim, um fator importante. Isso porque, com o envelhecimento, o ombro sofre um desgaste natural”, informou Nery.”
O manguito rotador é o conjunto de tendões responsável pelos movimentos e pela estabilidade do ombro. De acordo com Nery, com o tempo, esse tendão vai perdendo qualidade. “Muitas vezes, o sangue já tem uma degeneração prévia, sem nem sentido, e a queda acaba funcionando como um gatilho para uma lesão mais importante”, continuou.
Nem todos os pacientes que sofrem lesões no ombro necessitam de cirurgia.
““A cirurgia não é indicada em todos os casos. Quando há tendinites ou rupturas parciais, normalmente a gente começa com um tratamento conservador, como fisioterapia, fortalecimento muscular e controle da dor”, explicou.”
A cirurgia é indicada principalmente quando existe uma ruptura completa do tendão, especialmente se há dor intensa, perda de força e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia, como levantar o braço, vestir-se e dormir sem dor.
Após o procedimento, Bolsonaro deverá seguir um protocolo de pós-cirúrgico.
““O mais importante é entender que começa uma nova fase, a reabilitação. Existe um período inicial com a tipoia, controle da dor e proteção do ombro. Depois, entram progressivamente os exercícios de mobilidade e fortalecimento”, declarou Nery.”
O médico ressaltou que o sucesso da recuperação depende de respeitar o tempo de cicatrização e seguir corretamente a fisioterapia.
““Eu costumo dizer que o ombro não melhora por pressa, ele melhora por processo. E esse processo exige paciência, disciplina e constância para devolver função e qualidade de vida com segurança”, finalizou.”
Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o dia 27 de março, cumprindo pena em casa por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após uma internação de duas semanas para tratamento de broncopneumonia bilateral.


