Os EUA manifestaram preocupação com a revogação das autorizações de sobrevoo para o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, por vários países africanos, a mando da China. O Departamento de Estado classificou essa atitude como um abuso do sistema internacional de aviação civil.
Na última semana, Taiwan informou que as Ilhas Seychelles, Maurício e Madagascar revogaram unilateralmente as autorizações para que sua aeronave presidencial cruzasse o espaço aéreo desses países em uma viagem planejada para Essuatíni, anteriormente conhecido como Suazilândia, um dos aliados de Taiwan.
Essa situação representa o primeiro caso em que um presidente de Taiwan teve que cancelar uma viagem ao exterior devido à negação de acesso ao espaço aéreo, evidenciando uma nova estratégia da China para sufocar as iniciativas internacionais da ilha.
““Esses países estão agindo a mando da China, interferindo na segurança e na dignidade das viagens de rotina das autoridades de Taiwan”, disse um porta-voz do Departamento de Estado.”
A autoridade norte-americana destacou que a responsabilidade de gerenciamento do espaço aéreo internacional é garantir a segurança da aviação, e não servir como uma ferramenta política para Pequim. “Esse é mais um caso em que Pequim realiza sua campanha de intimidação contra Taiwan e seus apoiadores em todo o mundo”, acrescentou.
Uma autoridade sênior de segurança de Taiwan afirmou que a China pressionou as Ilhas Seychelles, Madagascar e Maurício, ameaçando com sanções econômicas, incluindo a revogação do perdão da dívida. O Escritório de Assuntos de Taiwan da China negou a alegação, mas expressou apreço pela posição dos três países em aderir ao princípio de uma só China.
A China considera Taiwan como seu território, apesar da rejeição dessa reivindicação por Taipé, e frequentemente classifica a questão como uma “linha vermelha” em suas relações diplomáticas. A pequena nação de Essuatíni é um dos 12 países que mantêm laços formais com Taiwan.
Lai deveria partir na quarta-feira para o 40º aniversário da ascensão do Rei Mswati 3º. A última visita de um presidente taiuanês a Essuatíni ocorreu em 2023, quando Tsai Ing-wen fez a viagem. Parlamentares dos EUA também condenaram a China pela medida e expressaram apoio a Taiwan.
Os EUA não têm laços formais com Taiwan, mas são seu maior apoiador internacional e fornecedor de armas.


