No mês de abril, dedicado à conscientização sobre o autismo, mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Pará denunciam a longa espera por atendimento especializado. No Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém, uma mãe relata que sua filha de 11 anos aguarda há 6 anos por uma vaga.
Outra mãe, Rosilene Lima Rocha, de 45 anos, tem dois filhos com TEA, Isaac, de 8 anos, e Davi, de 15 anos. Davi é atendido pelo CIIR, mas está próximo da idade limite para continuar no serviço. Ela critica a falta de políticas públicas para adolescentes com autismo, afirmando que “as crianças estão recebendo alta quando chegam à adolescência, como se deixassem de ser autistas”.
Isaac, por sua vez, está há quase três anos na fila de espera. Ele chegou a iniciar terapias em outra unidade, mas o atendimento foi interrompido por falta de pagamento da prefeitura. Rosilene relata que já procurou diversas autoridades, mas a resposta é sempre a mesma: “a fila é grande e não tem vaga”.
O CIIR, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), informa que mais de 3,8 mil pessoas com diagnóstico de TEA aguardam atendimento, enquanto a unidade tem capacidade para cerca de 700 pacientes. O tempo médio de espera é estimado em 3,5 anos.
Bárbara Silva, mãe de três filhos com TEA, também enfrenta dificuldades. Sua filha Jheniffer, de 11 anos, está há seis anos na fila, enquanto os irmãos Ismael e Marcos aguardam há quase três e um ano, respectivamente. Ela destaca que, apesar dos diagnósticos, os filhos não recebem o acompanhamento necessário.
“Eles estão sem acompanhamento nenhum. Têm o diagnóstico e usam medicação, mas estão sem terapia, que é o que mais ajuda”, afirma Bárbara. Ela também menciona a falta de orientação profissional no dia a dia e a dificuldade de lidar com as situações que surgem.
Especialistas alertam que a demora no início do tratamento pode trazer prejuízos significativos, principalmente na infância, fase crucial para intervenções no TEA. O médico psiquiatra Arthur Silva explica que o transtorno afeta a comunicação, a socialização e a autogestão, fundamentais para uma vida funcional adequada.
A Secretaria de Saúde informou que está trabalhando para aumentar a oferta de atendimentos e reduzir o tempo de espera, mas não forneceu prazos específicos. O estado também está construindo novos Núcleos de Atendimentos ao Transtorno do Espectro Autista (Natea) e capacitando profissionais para o atendimento.


