A dor pélvica crônica é uma condição que persiste por mais de seis meses além do esperado para cicatrização e representa um desafio significativo na saúde feminina. Essa condição, que muitas vezes ultrapassa o campo ginecológico, é frequentemente mal diagnosticada e tratada, resultando em sofrimento prolongado e impacto na qualidade de vida das pacientes.
Estudos indicam que a dor pélvica crônica representa cerca de 10% das consultas ginecológicas e pode afetar até 25% das mulheres. O Ministério da Saúde aponta que a dor crônica afeta até 40% da população adulta brasileira, sendo mais prevalente entre mulheres, o que evidencia um problema de saúde pública subestimado.
A neuromodulação do gânglio da raiz dorsal (DRG) surge como uma alternativa promissora. Essa técnica minimamente invasiva utiliza um dispositivo que emite estímulos elétricos de baixa intensidade, modulando os sinais de dor antes que sejam interpretados pelo cérebro. Estudos demonstram reduções significativas da dor, com alívio sustentado em muitos pacientes ao longo de 12 meses.
Apesar dos avanços, o acesso à neuromodulação ainda é limitado na rede pública brasileira, criando uma lacuna entre as inovações científicas e a realidade das pacientes. Recentemente, durante o 17º Congresso Brasileiro de Estereotaxia e Neurocirurgia Funcional, um treinamento multidisciplinar em neuromodulação avançada foi realizado, refletindo a necessidade de uma abordagem integrada no tratamento da dor.
A integração entre neurocirurgiões, ginecologistas, anestesiologistas e especialistas em dor é fundamental para o futuro do tratamento da dor pélvica crônica. É crucial que as pacientes sejam acolhidas de forma integral, considerando suas dimensões emocionais e de saúde mental.
A perspectiva atual é de um tratamento multimodal, individualizado e baseado em evidências. A evolução científica e tecnológica já está em andamento, e o desafio agora é garantir que essas inovações cheguem às mulheres que ainda sofrem em silêncio.


