O governo de São Paulo lançou um programa que oferece até R$ 36 mil a produtores rurais e até R$ 250 mil a organizações para incentivar a preservação da araucária, árvore nativa da Mata Atlântica em risco de extinção.
A iniciativa, baseada em pagamento por serviços ambientais, visa conter a perda de habitat da espécie, que sofre com décadas de exploração e mudanças climáticas. O projeto será implementado inicialmente em Cunha, no Vale do Paraíba, região que concentra a maior parte da produção de pinhão no estado.
A estratégia combina conservação ambiental com geração de renda, estimulando o manejo sustentável e o fortalecimento da cadeia produtiva da semente. A Araucaria angustifolia, conhecida como pinheiro-brasileiro, já ocupou extensas áreas da Mata Atlântica, especialmente no Sul e Sudeste do país.
Ao longo do século 20, a exploração madeireira reduziu drasticamente sua presença, deixando a espécie restrita a fragmentos isolados. Estudos científicos indicam que o aumento das temperaturas pode reduzir significativamente as áreas adequadas para seu desenvolvimento até 2070, colocando a araucária em uma situação crítica.
O programa será coordenado pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente do estado. A proposta é remunerar produtores e organizações que adotem práticas de conservação, como a proteção de árvores existentes, o plantio de mudas e a recuperação de áreas degradadas.
Um dos pilares da iniciativa é o fortalecimento da cadeia do pinhão, cuja coleta é considerada sustentável. Em Cunha, produtores mantêm a atividade há gerações, e dados do governo estadual indicam que, entre 2023 e 2025, foram coletadas mais de 1.100 toneladas de pinhão na região.
A estimativa para 2026 é de cerca de 368 toneladas, reforçando a importância econômica da cultura local. No entanto, o envelhecimento das árvores e a falta de novos plantios ameaçam a continuidade da produção, tornando o incentivo público uma tentativa de estimular a renovação das áreas.
O PSA Araucária se insere em uma estratégia mais ampla de bioeconomia, buscando conciliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Produtos florestais e serviços ecossistêmicos são valorizados como ativos, criando novas fontes de renda para comunidades locais.
Apesar do incentivo financeiro, especialistas alertam que programas de pagamento por serviços ambientais têm alcance limitado. A efetividade dessas políticas depende de continuidade de recursos, fiscalização e adesão dos produtores. O desafio é ainda mais complexo devido ao crescimento lento da espécie, exigindo políticas consistentes ao longo de décadas.
A iniciativa ocorre em um contexto de crescente pressão sobre a Mata Atlântica, um dos biomas mais degradados do país. Embora programas como o PSA Araucária possam contribuir para práticas sustentáveis, a sobrevivência da araucária continua incerta nas próximas décadas.


