Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram o nascimento do primeiro porco clonado da América Latina, ocorrido no fim de março de 2026, em um laboratório do Instituto de Zootecnia da APTA, em Piracicaba, São Paulo.
O objetivo do animal é viabilizar o xenotransplante, que é a transferência de órgãos entre espécies diferentes, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A equipe de pesquisa conta com a participação do cirurgião Silvano Raia, da geneticista Mayana Zatz e do imunologista Jorge Kalil.
Em entrevista à Agência Fapesp, os pesquisadores explicaram que dominar a técnica de clonagem em suínos é especialmente desafiador. Embora o Brasil já tenha experiência com a clonagem de bovinos e equinos, os porcos apresentam dificuldades biológicas ainda pouco compreendidas.
Os suínos são considerados os candidatos mais promissores para doação de órgãos, pois coração, rins e outros órgãos têm tamanho e funcionamento semelhantes aos humanos. Além disso, são animais de fácil reprodução e manejo.
Para que um órgão de porco possa ser transplantado em humanos, é necessário modificar geneticamente o animal, já que o corpo humano rejeitaria o órgão quase imediatamente. No projeto, a adaptação é realizada com a ferramenta CRISPR-Cas9, que permite editar o DNA.
Os pesquisadores desativaram três genes suínos associados à rejeição e inseriram sete genes humanos nas células do animal, aumentando a compatibilidade dos tecidos com o organismo humano. Após a edição genética, os embriões foram implantados em fêmeas híbridas de porcos, com uma gestação que durou cerca de quatro meses.
O resultado foi o nascimento de um filhote saudável, pesando 1,7 kg. A equipe afirma que o bom estado de saúde do animal indica que a técnica está funcionando conforme o esperado. Outros embriões já foram implantados e novas gestações estão em andamento.


